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John Huss           John Wesley           Martinho Lutero              William Tyndale

     JOÃO HUSS                  JOÃO WESLEY          MARTINHO LUTERO             WILLIAM TYNDALE

 

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John Wycliff

wiclif

      O Dr. William P. Grady, erudito bíblico americano, traça um perfil maravilhoso do grande reformador John Wycliff, em seu livro "Final Authority". Vejamos o que ele diz:
      Biografia: Nascido de sangue saxônico, perto da Vila de Wycliff, em Yorkshire, John Wycliff tornou-se o principal porta voz dos patriotas ingleses, através do período de emancipação política do seu país. Sua escalada a um lugar de erudita eminência foi rápida. Brilhando em Oxford, ele foi nomeado capelão do rei em 1366, enquanto recebia o seu doutorado, em 1374. Contudo, bem depressa voltou suas armas intelectuais contra Roma, conforme Schaff declara:
Em sermões, folhetos e escritos mais extensos, Wycliff apresentou a Escritura e o senso comum como testemunhas. Sua pregação era tão cortante como a "Espada de Damocles". Ele nunca hesitava em usar a ironia e a invectiva, nas quais era mestre; a objetividade e a pertinência de seus apelos traziam tudo facilmente à compreensão da mente popular.
      Em sua condenação do abuso doutrinário, Wycliff condenava a complacência dos últimos reformadores contra os prelados imorais, excesso de posses territoriais, extorsão religiosa, e heresias tais como o purgatório, a transubstanciação, o sacerdócio e a confissão auricular. Poucos eram poupados da "Espada de Damocles". Ele acusava o papa de ser o Anticristo, o orgulhoso sacerdote universal de Roma e o mais amaldiçoado dos tosquiadores e caçadores níqueis. Como os frades de seu tempo eram conhecidos pelo seu apego "à boa comida e às mulheres" Wycliff depreciava os seus mosteiros, chamando-os de covis de ladrões, ninhos de serpentes, casas de habitação de demônios vivos, etc.
      Numa linguagem que iria rivalizar com a de Lutero, ele escreveu que os padres: Roubam o sustento dos pobres, os quais não podem se opor à opressão; cobram mais alto por um tostão furado do que pelo sangue precioso de Cristo; rezam apenas para se mostrar e coletam taxas por qualquer serviço religioso que oficiam; vivem na luxúria, cavalgando gordos cavalos forrados de prata e ouro; são roubadores... raposas maliciosas... lobos vorazes... glutões... demônios... chimpanzés.
      Como nenhum país pode crescer além da moral de suas mulheres, uma narrativa da época demonstra as baixas marcas no barômetro de todas as mulheres importantes em matéria de pureza (como no caso de Alexandria): Naqueles dias havia um grande rumor e clamor entre o povo de que, sempre que havia uma competição, ali acontecia uma grande afluência de mulheres da mais alta vaidade e beleza, porém não as melhores do reino; algumas em número de quarenta ou cinqüenta, como se fizessem parte dos torneios, vestidas de roupagens masculinas diversas e maravilhosas, com túnicas ostentando as cores do partido, usando pequenos bonés atados às suas cabeças, cintos bordados de ouro e prata e adagas em bolsinhas penduradas ao corpo, com palavreado grosseiro, que o rumor popular escutava em toda parte; e desse modo, elas nem só deixavam de temer a Deus como não ligavam para a voz do povo.
      Entende-se que esse declínio moral assegurava à Inglaterra, pelo menos, uma queda em seu horizonte. O Dr. Green resume: Era um tempo de vergonha e sofrimento, como a Inglaterra jamais havia conhecido. Suas conquistas foram perdidas, suas fronteiras insultadas, suas frotas aniquiladas, seu comércio varrido do mar enquanto interiormente ela se exauria por causa de longas e custosas guerras, bem como pela corrupção e pestilência.
      Embora a pátria de Wycliff precisasse de arrependimento, seus detratores religiosos de dura cerviz lhe apresentavam tremenda oposição. À medida em que se intensificavam suas cáusticas denúncias, assim também a ameaça de violência física. Para contrabalançar este perigo o Senhor levantou-lhe um poderoso protetor na pessoa de John de Gaunt, Duque de Lancaster (filho predileto de Eduardo e irmão mais novo do melhor conhecido, embora pouco lembrado, Príncipe Negro).
      Quanto mais Wycliff laborava, mais convencido ficava de que sua amada Inglaterra precisava de algo mais do que seus sermões e folhetos. Precisava de uma Bíblia! Neste escrito intitulado "The Wycket" (A Posição) ele exclama com emoção:
      Se a Palavra de Deus é a vida do mundo e cada palavra de Deus é a vida da alma humana, como pode qualquer Anticristo, para o horror divino, tirá-la de nós, que somos cristãos, e desse modo levar o povo a morrer de inanição, na heresia e na blasfêmia das leis dos homens, que corrompem e assassinam a alma?
      Por causa dessa necessidade, Wycliff dedicou o resto de sua vida a completar a primeira tradução da Bíblia inteira para a língua inglesa. Conhecendo bem o Grego e o Hebraico, primeiro ele embasou a sua obra em manuscritos latinos. Embora a erudição moderna goste de frisar a confiança de Wycliff na leitura da Vulgata, uma revisão posterior da obra por John Purvey, que trouxe de volta a tradução de acordo com Jerônimo, traz a evidência de que Wycliff teve acesso aos manuscritos latinos. O abandono posterior de Purvey de Roma acrescenta uma luz a este assunto.
      Apesar da consistência latina, a nova Bíblia representava a primeira em existência para o povo de língua inglesa. Como a imprensa ainda não fora inventada, o manuscrito teve de ser copiado à mão, exigindo um exorbitante custo diário. (Foram precisos quase dez meses de trabalho árduo de um copista experiente). A taxa da mão de obra, de uma hora apenas, com essa obra custava o mesmo que um carregamento inteiro de feno). Enquanto isso, McClure nos conta que o preço de compra se aproximava de "quatro marcos e quarenta pences", o qual eqüivalia ao salário total anual de um clérigo.
      A chegada da imprensa cumpriu a estranha profecia: "Esperemos que o baixo custo da Bíblia jamais ocasione o baixo apreço pela mesma". (Os crentes dos dias atuais, infelizmente, podem constatar o cumprimento desta profecia).
Foxe nos informa: Tão escasso era o suprimento de Bíblias, nesses tempos, que apenas uns poucos entre aqueles que suspiravam pelo seu ensino podiam ter a esperança de possuir o volume sacro. Mas essa escassez decorria parcialmente da firmeza daqueles, cujo interesse fora despertado pela Bíblia. Se apenas uma simples cópia era possuída na vizinhança, esses denodados trabalhadores e artesãos seriam encontrados juntos, após um exaustivo dia de trabalho, lendo em turnos e escutando as palavras da vida; e tão doce era o frescor dos seus espíritos, que algumas vezes o romper da manhã os surpreendia com a chamada para um novo dia de trabalho, sem que tivessem pensado em dormir.
      McClure cita um poema contemporâneo, que descreve esse espírito de gloriosa libertação:
      Mas para compensar todo o dano, o Livro Sagrado, em poeirento esconderijo guardado tanto tempo, agora assume o falar de nossa língua nativa. E o que dirige o arado, ou maneja o bordão, com espírito de compreensão, pode agora olhar sobre o seu registro e ouvir sua canção e examinar suas leis – mais querendo saber do que errar qual a fé que tem mantido. E o céu pôde suportar calmamente o transcendente favor! Mais nobre do que o rei terreno sempre concedido para igualar e abençoar sob o peso da desgraça mortal.
      Uma porção da Bíblia de Wycliff de João 17:1-3 diz: "Jesus falou assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti; assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste. E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". Claro que a reação católica foi de tremendo pânico! Enquanto um padre se lamentava: "Agora a jóia do clero se tornou um brinquedo do laicato", Henry Knighton elaborava:
      Este mestre John Wycliff traduziu o Evangelho do Latim para o Inglês, o qual Cristo havia confiado ao clero e aos doutores da Igreja, para que o ministrassem ao laicato e aos menos afortunados, conforme a declaração dos tempos e necessidades dos homens. Assim, por esse meio, o evangelho se tornou vulgar e mais aberto ao laicato... do que costumava ser para os mais letrados do clero e os de melhor compreensão! E o que antes era dádiva principal do clero e doutores da igreja, agora se torna para sempre comum ao laicato.
      Como seria o caso de Martinho Lutero, Wycliff foi providencialmente poupado do martírio na estaca, sofrendo um ataque, enquanto oficiava na igreja, com a idade de sessenta e quatro anos, em 1384. Seus inimigos ficaram extasiados, com o prelado Walsingham "elogiando":
       Na festa da Paixão de S. Tomás de Canterbury, John Wycliff – esse órgão do diabo, inimigo da igreja, esse autor da confusão entre o povo comum, esse ídolo de hereges, essa imagem dos hipócritas, esse restaurador do cisma, esse armazenador de mentiras, esse poço de lisonja – sendo abatido pelo terrível julgamento de Deus, foi atacado de paralisia e continuou a viver nessa condição até o dia de S. Silvestre, quando entregou o seu malicioso espírito nas regiões das trevas.
      Contudo, embora a história tinha esquecido o nome de Walsingham, o nome de Chaucer tem sobrevivido, talvez em razão do seu memorial a Wycliff:
Ele foi um grande homem da religião; Ele foi uma personalidade que chamou a atenção de uma cidade. Mais rico ele foi de sagrado pensamento e realização. Era também um homem letrado, um funcionário que o evangelho de Cristo verdadeiramente quis pregar. Este nobre exemplo às suas ovelhas ele deu de primeiro praticar para depois ensinar. Um pastor melhor não existe em parte alguma. Ele não gostava de pompa nem de reverência, nem jamais lisonjeou qualquer consciência, mas pregou a Cristo e seus doze apóstolos. Ele ensinou, mas primeiro ele mesmo praticou.
      Como um interessante aparte, a influência de Wycliff pode ter sido um fator na última renúncia de Chaucer das obras de sua vida – "The Canterbury Tales, Troilus and Criseyde", e "The Book of the Duchess" - como " vaidades do mundo" tendo expressado a preocupação de que "eu devo ser um daqueles do tempo da condenação, que serão salvos."
      A ira dos nicolaítas explodiu em 1410, com o seguinte decreto sendo levado ao Parlamento: Nosso soberano senhor, o Rei... pelo consentimento dos estados e de outros homens discretos... reunidos no Parlamento, tem concedido, estabelecido e ordenado que nenhum dentro do... reino, ou de quaisquer outros domínios sujeitos a Sua Majestade Real, presumirá pregar aberta ou secretamente, sem primeiro procurar e obter a licença do diocesano local, sempre excetuando os curas em suas próprias igrejas, pessoas que até agora têm sido tão privilegiadas, e outras permitidas pela lei canônica; e que, a partir de agora, ninguém, quer aberta ou secretamente, deve pregar, manter, ensinar ou instruir ou produzir ou escrever qualquer livro contrário à fé católica ou à determinação da Santa Igreja, nem permitirá qualquer (Lolardo) seita organizar reuniões (ajuntamentos desorganizados para adoração) em parte alguma, ou de qualquer maneira conservar ou manter escolas com as suas malignas doutrinas e opiniões; e também que, daqui para a frente, ninguém, de modo algum, favoreça qualquer pessoa que pregue dessa maneira, informe ou excite o povo... E se qualquer pessoa dentro do reino e domínio for condenada por sentença diante do diocesano local, ou dos seus comissários, por essas mencionadas pregações malignas, doutrinas, opiniões, escolas e instrução herética e errônea, ou se qualquer uma delas, se recusar devidamente a abjurar a mesma... então o xerife do condado... e o prefeito e os xerifes ou xerife, ou o prefeito e os oficiais da cidade, cidadezinha ou condados agregados... mais próximos do dito diocesano e seus comissários... receber, após terem sido proclamadas essas sentenças, essas pessoas... isso poderá levá-las a serem queimadas diante do povo em local de destaque, a fim de que esse castigo possa desencadear o medo nas mentes dos demais, para que nenhumas doutrinas malignas e heréticas e opiniões errôneas contra a fé católica a lei cristã é a determinação da Santa Igreja) nem os seus autores e favorecedores sejam mantidas... ou de qualquer forma toleradas.
      No ano de 1415, o Concílio de Constança determinou que os livros e ossos de Wycliff fossem queimados e suas cinzas atiradas no rio Severn (que desaguava em sua cidade). Thomas Fuller observa: Desse modo, este pequeno arroio levou suas cinzas até Avon, de Avon até Severn, de Severn até os estreitos mares e destes até o mar aberto. E assim, as cinzas de Wycliff são o emblema de suas doutrinas, que agora estão dispersas pelo mundo inteiro.
Por causa desses editos, muitos Lolardos piedosos não tiveram a mesma sorte do seu afortunado pai. Os registros dos perseguidores locais nos contam de grupos se reunindo, aqui e ali, para ler "num grande livro de heresias, a noite inteira, certos capítulos dos evangelistas em inglês".
      Foxe acrescenta: Os Lolardos eram levados a locais ermos e não freqüentados para se encontrar, muitas vezes sob as sombras da noite, a fim de adorar a Deus. Vizinho era ordenado a espiar vizinho; maridos e esposas; pais e filhos; irmãos e irmãs eram duramente forçados a dar testemunho um contra o outro. A prisão dos Lolardos também ecoou com o ranger das correntes; o cadafalso e estaca mais uma vez calmavam por sua vítimas.
Para aumentar a culpa dos cristãos indiferentes de hoje, uma das acusações comuns feitas contra aqueles crentes piedosos era, não apenas o fato de possuírem a Bíblia de Wycliff, mas também a sua habilidade de "repetir a mesma de cor".
      Entre as muitas vítimas estavam: John Badby, alfaiate, (1410). Dois comerciantes de Londres: Richard Turming e John Claydon, em Smithfield, (1415). William Taylor, (1423). William White, (1428). Richard Hoveden, (1430). Thomas Bagley, (1431) e Richard Wyche, (1440). Joan Broughton foi a primeira mulher queimada na estaca, na Inglaterra, perecendo em Smithfield com a filha, Lady Young, ao seu lado.
      A história da verdadeira Bíblia Inglesa é bem diferente da história da New International Version e de outras falsificações construídas com a preferência pelos Códices Alfa e B. É uma história banhada em sangue.
Foxe prossegue: Um certo Christopher Shoemaker, que foi queimado vivo em Newbury, foi acusado de ter ido à casa de John Say e "ler para ele, em um livro, as palavras que Cristo falou aos seus discípulos..." Em 1519, sete mártires forma jogados ao fogo em Coventry, por terem ensinado a seus filhos e empregados a "Oração do Senhor" e os "Dez Mandamentos" em Inglês... Jenkins Butler acusou o seu próprio irmão de ler para ele um certo livro da Escritura e de tê-lo persuadido a dar ouvidos ao mesmo. John Barret, joalheiro de Londres, foi preso por ter recitado para sua esposa e criada a epístola de São Tiago ... Thomas Phillip e Lawrence Taylor foram presos porque leram a Epístola aos Romanos e o primeiro capítulo de São Lucas, em inglês.
      Em estranho cumprimento da analogia de Fuller, as cinzas de Wycliff nem haviam chegado ainda à Bohêmia (atual Checoslováquia) quando o piedoso inglês foi homenageado postumamente com o título de "O Quinto Evangelista".
Exatamente treze anos antes que o cadáver do reformador fosse profanado, John Hus (1372-1415) foi reconhecido como o apologista da "heresia Wyclifiana", na universidade de Praga. A difusão da doutrina de Wycliff por Hus resultou em que a Bohêmia recebesse a herança de "Berço da Reforma". Schaff escreve sobre Hus:
      É fato bem conhecido que era a causa de Wycliff que ele estava representando e as visões wyclifianas que ele estava defendendo, e os escritos de Wycliff eram abertamente expostos aos olhos dos membros das faculdades da Universidade. Ele não fazia segredo de que seguia Wycliff e de que desejava morrer pelas visões que Wycliff ensinava. Quando escreveu a Richard Wiche, ele se confessou grato porque: "sob o poder de Jesus Cristo" a Bohêmia havia recebido tanto bem da abençoada terra da Inglaterra.
      Durante o Concílio de Constança, quando Hus foi traído e condenado à morte, a sentença oficial também provou ter sido uma centelha inglesa que acendeu as chamas da Reforma Européia: O Sagrado Concílio, tendo somente Deus diante dos seus olhos, condena John Hus por ter sido e ainda ser um verdadeiro, real e declarado herege, discípulo, não de Cristo, mas de John Wycliff.
      A influência do primeiro tradutor da Bíblia pode ser rastreada, indiretamente, ao reformador florentino Savanarola (1452-1498). Colocado aos pés de Lutero e ao lado de Wycliff e Hus, no Monumento da Reforma, em Worms, o dominicano convertido foi alcançado primeiramente através do ministério dos irmãos da Bohêmia.
      A preocupação de Wycliff na Escritura pode ser vista no desdém de Savanarola pelos seus contemporâneos ignorantes, escrevendo: Os teólogos do nosso tempo têm manchado todas as coisas com o seu piche, através de suas incomparáveis disputas. Eles não conhecem o mínimo de Bíblia, sim, eles nem sequer sabem os nomes dos seus livros.
      A coragem de Wycliff pode ser vista nos sermões de Savanarola descritos por Schaff como "os raios de um coruscante e estrondoso trovão".
Denunciando os abusos costumeiros do Catolicismo ele escreveu: Começa em Roma, onde o clero zomba de Cristo e dos santos; sim, eles são piores do que os turcos e mouros. Fazem o tráfico de sacramentos. Vendem benefícios para quem paga mais. Os sacerdotes de Roma não têm cortesãs, namorados, cavalos e cachorros? Não têm palácios cheios de tapeçarias, de sedas, de perfumes e parasitas? Esta parece ser a igreja de Deus?
      Dois anos antes de incitar a multidão a levar Savanarola até a estaca, o perverso Alexandre VI deu ao seu corretor de apostas um "chapéu vermelho" (ofício de cardeal) pelo que este foi zombado pelo reformador, declarando sua preferência por uma coroa de púrpura "tinta de sangue".
Com tanta influência brotando de um solitário tradutor inglês durante a época do primitivo manuscrito, a invenção do tipo móvel de Gutenberg veio destinada a "arrebentar as portas" e com o primeiro livro completo impresso, a Bíblia de Gutenberg, em 1456 (uma Vulgata Latina que levou seis meses para ser impressa), a proverbial "caligrafia" foi pendurada na parede. Enquanto Martinho Lutero chamava a arte de imprimir "o último e melhor presente da Providência" (54), o católico Howland Phillips, num sermão pregado no "Saint Paul Cross", em Londres, no ano de 1535, observou ameaçadoramente: "vamos destruir a imprensa para que a imprensa não nos destrua".
      A paranóia de Roma com o ressurgimento da Palavra de Deus também se manifestou contra o estudo do Grego e do Hebraico (vigorando desde a queda de Constantinopla em 1458, o que forçou uma retirada ocidental dos manuscritos dos eruditos gregos). A Universidade Conrad Hersbach de Colônia admoestou:
Eles descobriram uma língua chamada grego, contra a qual devemos ter o cuidado de nos guardar. Ela é a mãe das heresias. Nas mãos de muitas pessoas tenho visto um livro que chamam de Novo Testamento. É um livro cheio de espinhos e veneno. Quanto ao hebraico, meus irmãos, é certo que aqueles que o aprendem, mais cedo ou mais tarde irão se tornar judeus.

 

Fonte: http://pastorzico.blogspot.com/2008/08/biografia-de-joo-wycliffe.html 

 


                                                                         John Wesley

        

                  Retrato de Wesley                                 Casa de John Wesley, em Londres       Estátua de Wesley em WilmoreKentucky (USA)

Introdução

John Wesley (Epworth, 17 junhojul.28 de junho de 1703greg. — Londres2 de março de 1791) foi um clérigo anglicanoteólogo cristão britânico, líder precursor do movimento metodista e, ao lado de William Booth, um dos dois maiores avivacionistas da Grã-Bretanha. 

John Wesley viveu na Inglaterra no século XVIII, uma sociedade conturbada pela Revolução Industrial, onde crescia muito o número de desempregados. A Inglaterra estava cheia de mendigos itinerantes, políticos corruptos, vícios e violência generalizada. O cristianismo, em todas as suas denominações, estava definhando. Ao invés de influenciar, o cristianismo estava sendo influenciado, de maneira alarmante, pela apatia religiosa e pela degeneração moral.

Infância

Dentre aqueles que não se conformavam com esse estado paralisante da religião cristã, sobressaiu-se John Wesley. Primeiro, durante o tempo de estudante na Universidade de Oxford, depois como líder no meio do povo.

John Wesley, décimo quinto filho do ministro anglicano Samuel, que mostrara ser jacobita ao se negar a reconhecer William de Orange como soberano inglês, e de Susana Wesley, nasceu a 17 de junho de 1703, em Epworth, na Inglaterra.

Devido às atividades pastorais e políticas que impediam o Reverendo Samuel de dar a devida assistência ao lar, Susana assumiu a administração financeira da família e a educação dos filhos e filhas. Disciplinava-os com rigidez, mantendo um horário para cada atividade e reservando um tempo de encontro com cada filho para conversar, estudar e orar..

O Incêndio em sua casa

Ainda na infância, com cinco anos de idade John Wesley foi o último a ser salvo, de forma miraculosa, em um incêndio que destruiu toda sua casa, onde ficara preso no segundo andar. A partir desse dia Susana, sua mãe, dedicou-lhe atenção especial, pois entendeu que Deus havia poupado sua vida para algo muito especial. Depois desse acontecimento, John Wesley ficou conhecido como ''um tição tirado do fogo''.

Ainda aos cinco anos de idade, Susana Wesley começou a alfabetizá-lo, usando o livro dos Salmos como apostila.

John estudou com sua mãe até os 11 anos. Entrou, então, para uma escola pública, onde ficou como aluno interno por seis anos. Aos 17 anos, foi para a Universidade de Oxford.

Estudos

John Wesley iniciou seus estudos em Oxford, onde começou a se reunir com um grupo de estudantes para meditação bíblica e oração, sendo conhecidos pelos colegas universitários como "Clube Santo". Ele não inventou o nome; outros alunos, notando que os membros do grupo tinham horário e método para tudo que faziam, os tacharam como 'metodistas'. Wesley preferia chamá-los simplesmente de 'Metodistas de Oxford'.

Nesse grupo Wesley e seu irmão Charles iniciaram visitas e evangelismos em presídios. Wesley passou então a se interessar mais pela questão social de seu país e a miséria que a Inglaterra vivia na época.

Assim, graduou-se em Teologia, e pôde ajudar seu pai na direção da Igreja Anglicana.

Essa rotina durou até seus 32 anos, quando com seu irmão Charles atendeu a um apelo: precisava-se de missionários na VirgíniaNova Inglaterra.

Há uma equivocada história de que o John Wesley havia sido maçom. Houve um homem de nome John Wesley em DownpatrickIrlanda, que se tornou mestre maçom em 13 de outubro de 1788. Wesley também esteve em Downpatrick algumas vezes, mas não nessa data. Em 13 de outubro de 1788 o diário do reverendo John Wesley registra que ele esteve em Wallingford, proximidade de Londres.[1]

Missão em Virgínia

Um dos episódios que marcou o início do metodismo foi a viagem missionária de Jonh Wesley à Virgínia, para "evangelizar os índios", sendo praticamente fracassado. Em sua viagem de retorno John Wesley expressa sua frustração "fui à América evangelizar os índios, mas quem me converterá?".

Durante a travessia do Oceano Atlântico, Wesley ficou profundamente impressionado com um grupo de crianças e adultos que, durante uma grande tempestade, cantavam e louvavam ao nome do Senhor (Deus). Wesley, vendo a fé destes diante do risco da morte (o medo de morrer acompanhava Wesley por ele achar que Deus não poderia justificá-lo mediante seus pecados e por isso constantemente temia a morte desde sua juventude), predispôs-se a seguir a fé evangélica deles. Retornou à Inglaterra em 1738.

Conversão

Após 2 anos, John Wesley voltou desiludido com o trabalho realizado na Virgínia. Encontrou-se, então, com Pedro Böhler, em Londres. Böhler era pastor morávio (da MoráviaAlemanha) e com ele John Wesley se convence de que a fé é uma experiência total da vida humana. Procurou, então, libertar-se da religião formalista e fria para viver, na prática, os ensinos de Jesus.

A Experiência do Coração Aquecido

No dia 24 de maio de 1738, durante uma pequena reunião na rua Aldersgate, Londres, enquanto ouvia a leitura de um antigo comentário escrito por Martinho Lutero, pai da Reforma Protestante, sobre a carta aos Romanos, John Wesley passou por uma experiência espiritual extraordinária, sentindo "seu coração se aquecer". Através desta experiência ele experimentou grande confiança em Cristo e recebeu a segurança de que Deus havia perdoado seus pecados. Esse episódio é assim narrado em seu diário:

"Cerca das oito e quinze, enquanto ouvia a preleção sobre a mudança que Deus opera no coração através da fé em Cristo, senti que meu coração ardia de maneira estranha. Senti que, em verdade, eu confiava somente em Cristo para a salvação e que uma certeza me foi dada de que Ele havia tirado meus pecados, em verdade meus, e que me havia salvo da lei do pecado e da morte. Comecei a orar com todo meu poder por aqueles que, de uma maneira especial, me haviam perseguido e insultado. Então testifiquei diante de todos os presentes o que, pela primeira vez, sentia em meu coração".[2]

Nos 50 anos seguintes, Wesley pregou em média de três sermões por dia; a maior parte ao ar livre. Houve uma vez que pregou a cerca de 14.000 pessoas. Milhares saíram da miséria e imoralidade e cantaram a nova fé nas palavras dos hinos de Charles Wesley, irmão de John. Os dois irmãos deram à religião um novo espírito de alegria e piedade.

Igreja

Como não havia muitas oportunidades na Igreja Anglicana, Wesley pregava aos operários em praças e salões - muito embora ele não gostasse de pregar fora da Igreja. E tornou-se conhecidíssima esta sua frase: "o mundo é a minha paróquia".[3]

Influenciados pelos morávios, John e seu irmão Charles organizaram pequenas sociedades e classes dentro da Igreja da Inglaterra, lideradas por leigos, com os objetivos de compartilhar, estudar a Bíblia, orar e pregar. Logo o trabalho de sociedades e classes seria difundido em vários países, especialmente nos Estados Unidos e na Inglaterra e estaria presente em centenas de sociedades, com milhares de integrantes.

Com tanto serviço, Wesley andava por toda a parte a cavalo, conquistando o apelido de 'O Cavaleiro de Deus'. Calcula-se que, em 50 anos, Wesley tenha percorrido 400 mil quilômetros e pregado 40 mil sermões, com uma média de 800 sermões por ano. John Wesley deixou um legado de 300 pregadores itinerantes e mil pregadores locais.

Igreja Metodista, como Igreja propriamente, organizou-se primeiro nos EUA e depois na Inglaterra (somente após a morte de Wesley, no dia 2 de março de 1791).

Doutrina

  • Wesley ensinava que a conversão a Jesus é comprovada pela prática (testemunho), e não pelas emoções do momento.
  • Valorização dos pregadores leigos que participavam lado a lado com os clérigos da Missão de evangelização, assistência e capacitação de outras pessoas.
  • Afirma que o centro da vida cristã está na relação pessoal com Jesus Cristo. É Jesus quem nos salva, nos perdoa, nos transforma e nos oferece a vida abundante de comunhão com Deus.
  • Valoriza e recupera em sua prática a ênfase na ação e na doutrina do Espírito Santo como poder vital para a Igreja.
  • Reconhece a necessidade de se viver o Evangelho comunitariamente. John Wesley afirmou que "tornar o Evangelho em religião solitária é, na verdade, destruí-lo".
  • Preocupa-se com o ser humano total. Não é só com o bem-estar espiritual, mas também com o bem-estar físico, emocional, material. Por isso devemos cuidar do nosso próximo integralmente, principalmente dos necessitados e marginalizados sociais.
  • Podemos afirmar que o bem-estar espiritual é o resultado da paz de Cristo que alcança todas as áreas da vida do cristão. É o resultado do bem-estar físico, emocional, econômico, familiar, comunitário. Tudo está nas mãos de Deus, nele confiamos e Ele é fiel em cuidar de nós. Sua salvação alcança-nos integralmente.
  • Enfatiza a paixão pela evangelização. Desejamos e devemos trabalhar com paixão, perseverança e alegria para que o amor e a misericórdia de Deus alcancem homens e mulheres em todos os lugares e épocas.
  • Aceita as doutrinas fundamentais da fé cristã, conforme enunciadas no Credo Apostólico (Cremos na Bíblia, em Deus, em Jesus Cristo, no Espírito Santo, no ser humano, no perdão dos pecados, na vitória por meio da vida disciplinada, na centralização do amor, na segurança e na perfeição cristã, na Igreja, no Reino de Deus, na vida eterna, na segunda vinda de Jesus, na graça de Deus para todos, na possibilidade da queda da graça divina, na oração intercessora, nas missões mundiais. Cremos profundamente no amor. Amor de Deus em nossa vida, amor dos irmãos.), enfatizando o equilíbrio entre os atos de piedade (atos devocionais) e os atos de misericórdia (a prática de amor ao próximo).[5]

Legado

Além de milhares de convertidos e encaminhados para a santificação cristã, houve também obras sociais dignas de destaque, como estas: dinheiro aos pobres que Wesley distribuía, o compêndio de medicina que Wesley escreveu[6] e foi largamente difundido, apoio na reforma educacional, apoio na reforma das prisões, apoio na abolição da escravatura.[7]

Atualmente, o total de membros da comunidade metodista no mundo está estimado em cerca de 75 milhões de pessoas. O maior grupo concentra-se nos Estados Unidos: a Igreja Metodista Unida neste país é a segunda maior denominação protestante.

Hoje, além dos seguidores do Metodismo, a vida de muitos é influenciada pela missão de Wesley. Movimentos posteriores como o Exército de Salvação, o Movimento de Santidade e o Pentecostalismo devem muito a ele. A insistência wesleyana da busca da santificação pessoal e social contribuem significativamente para a ideologia da busca de uma vida e mundo melhor. A Igreja Católica Romana recebeu indiretamente alguns conceitos de Wesley quando o cardeal John Henry Newmanuniu-se a ela, vindo da Igreja Anglicana e concretizando em reformas litúrgicas, sociais, carismática e teológica desde o Concílio Vaticano II.

Faleceu a 2 de março de 1791, em Londres, Inglaterra. Encontra-se sepultado em Wesleys ChapelGrande LondresLondresInglaterra.[8]

  1.  http://freemasonry.bcy.ca/biography/wesley_j/wesley_j.html
  2. Ir para cima Dan Graves (2007). «John Wesley's Heart Strangely Warmed». Christianity. Consultado em 24 de agosto de 2015.
  3. Ir para cima «The Journal of Reverend John Wesley». T Mason, G Lane. 1837. p. 138. Consultado em 24 de agosto de 2015.
  4. Ir para cima http://www1.uol.com.br/bibliaworld/igreja/historia/metod.htm
  5. Ir para cima Fonte: LOCKMANN, Bispo Paulo; CONSTANTINO, Zélia. Seguir a Cristo, manual de discipulado.
  6. Ir para cima Wesley, John (1744). Primitive Physic, Or, An Easy and Natural Method of Curing Most Diseases. [S.l.: s.n.] Consultado em 23 de agosto de 2015.
  7. Ir para cima Brycchan Carey (2002). «John Wesley (1703-1791)». Brycchan Carey. Consultado em 23 de agosto de 2015.
  8. Ir para cima John Wesley (em inglês) no Find a Grave

 

 Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Wesley 

 


 

A. W. Tozer


tozer

      A. W. Tozer (Um profeta do século 20) 
      “Penso que minha filosofia seja esta: tudo está errado até que Deus endireite.”
      Esta afirmação do Dr. A. W.  Tozer  resume  perfeitamente a sua crença e o que ele tentou realizar durante seus anos de ministério. Sua  pregação  e seus livros concentraram-se inteiramente em  Deus.  Ele  não  tinha  tempo  para  mercenários  religiosos  que inventavam novas formas para promover suas mercadorias e subir nas estatísticas. Tozer marchou ao ritmo de uma batida diferente e,  por   esta  razão,  normalmente   não  acompanhava  os   passos  de  muitas  das  pessoas  que participavam de desfiles religiosos.
No entanto,  foi  esta  excentricidade  cristã que nos fez amá-lo e apreciá-lo. Ele não tinha receio em apontar o que era errado.  Nem  hesitou  em  dizer como Deus poderia endireitar todas as coisas. Se é que um sermão  pode  ser  comparado  à  luz,  então, A. W. Tozer emitia raios laser do púlpito, um feixe de luz que penetrava o nosso coração, exauria nossa consciência, expunha nossos pecados  e  nos  fazia  clamar: “O que devo fazer para ser salvo?” A resposta era sempre a mesma: entregar-se a Cristo; procurar conhecê-lo de forma pessoal; crescer para tornar-se como Ele.  
       Aiden  Wilson  Tozer  nasceu  em  Newburg  (naquele  tempo  conhecida  como  La   Jose), Pensilvânia,  Estados  Unidos,  em  21 de abril de 1897. Em 1912, sua família deixou a fazenda e foi para  Akron,  Ohio;  e,  em 1915, ele se converteu a Cristo. No mesmo instante passou a levar uma vida fervorosa de devoção e testemunho pessoal. Em 1919, começou a pastorear a Alliance Church, em  Nutter  Fort,  West  Virginia. Também pastoreou igrejas em Morgantown, West Virginia; Toledo; Ohio;  Indianapolis,  Indiana;  e,  em  1928,  foi  para  a Southside Alliance Church, em Chicago. Ali, ministrou até novembro de 1959, quando tornou-se pastor da Avenue Road Church, em Toronto, no Canadá.  Um  ataque  cardíaco,  em  12  de  maio  de  1963,  pôs  fim àquele ministério, e Tozer foi chamado para a Glória.
      Tozer alcançou  um número maior de pessoas por intermédio de suas obras do que por suas pregações. Grande parte do que escreveu era refletido na pregação de pastores que alimentavam a alma com as palavras de Tozer. Em maio de 1950, foi nomeado editor de The Alliance Weekly, agora conhecida como The Alliance Witness, que provavelmente foi a única revista religiosa a ser adquirida graças, sobretudo, aos  seus  editoriais.  Certa vez, o Dr. Tozer, em uma conferência na Evangelical Press Association (Associação  da Imprensa Evangélica), censurou alguns editores que praticavam o que  ele  chamava  de  “jornalismo de supermercado” – duas colunas de propagandas e uma nota de material para leitura. Era um escritor exigente e tão duro consigo mesmo quanto com os outros.
      O  que  há  nas  obras de A. W. Tozer que nos prende a atenção e nos cativa? Primeiro, ele Tozer escrevia  com  convicção.  Não  estava  interessado  nos  cristãos superficiais de Atenas que estavam à procura de algo novo. Tozer  mergulhou  novamente nas antigas fontes e nos chamou de volta  às  veredas  do  passado,  tendo  plena  convicção  e  colocando em prática as verdades que ensinava.
      Tozer era um místico cristão em uma época pragmática e materialista. Ele ainda nos convida a  ver  aquele  verdadeiro  mundo  das  coisas  espirituais  que  transcendem  o mundo material que tanto  nos  atraem.  Suplica  para  que  agrademos  a  Deus  enos esqueçamos da multidão. Ele nos implora  que  adoremos  a  Deus  de  modo  que  nos  tornemos  mais parecidos com Ele. Como esta mensagem é desesperadamente necessária em nossos dias! 
      A. W. Tozer recebeu a dádiva de compreender  uma verdade espiritual e erguê-la para a luz para  que,  como  um  diamante,  cada  faceta  fosse observada e admirada. Ele não se perdeu nos pântanos  da  homilética;  o  vento  do  Espírito  soprava e ossos mortos reviviam. Suas obras eram como graciosos camafeus cujo valor não se avalia por seu tamanho. Sua pregação se caracterizava pela  intensidade  espiritual  que penetrava no coração do ouvinte e o ajudava a ver Deus. Feliz é o cristão  que  possui  um  livro  de  Tozer à mão quando sua alma está sedenta e ele sente que Deus está longe.
Tozer, em suas obras, nos entusiasma tanto sobre a verdade que nos esquecemos de Tozer e  tratamos  de  pegar  a  Bíblia.  Ele mesmo sempre dizia que o melhor livro é aquele que faz o leitor parar  e  pensar  por  si  mesmo.  Tozer  é  como um prisma que concentra a luz e depois revela sua beleza.  

(Adaptado da Introdução do livro O Melhor de Tozer, vol. 2. © Editora dos Clássicos, 2001)

 

Fonte:http://www.culturacrista.com.br/tozer.html

 


 

George Muller

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      George Müller, nascido na Alemanha em 1805, tornou-se um cristão aos 20 anos de idade, após anos de turbulenta e rebelde adolescência. Ele tinha interesse em alcançar judeus e viajou a Londres para juntar-se à Sociedade Judaica de Missões. Lá ouviu sobre um rico dentista chamado Anthony Norris Groves que havia abandonado seu ofício para ir à Pérsia como missionário, dependendo de Deus para atender as suas necessidades.

 

      Durante um breve descanso em 1829, no ocidente da Inglaterra, Müller encontrou e iniciou uma amizade para a vida toda com Henry Craik, que tinha sido tutor de Groves. Müller e Craik foram usados por Deus para fundar instituições, igrejas e associações que causaram impacto a centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo.

 

      No ocidente da Inglaterra, Müller também encontrou-se casou-se com Mary Groves, uma irmã de Antony Norris Groves. Nessa ocasião, George havia abraçado totalmente os princípios da igreja seguidos pelos primeiros Irmãos. Ele foi além da maioria deles em sua política quanto ao dinheiro. Por exemplo: ele não aceitava ofertas quando saia para pregar, temendo dar a impressão que pregava por dinheiro. Quando ele rejeitava as ofertas, as pessoas algumas vezes queriam pô-las a força dentro do seu bolso, então ele fugia. Um homem "lutou" com Müller até que ele aceitasse o dinheiro que o mesmo queria lhe dar!

 

      Durante seus primeiros anos, Müller começou a desenvolver convicções sobre oração e fé, que proporcionaram a base para poderosas demonstrações da provisão de Deus. Além de pedir a Deus por comida e fundos pessoais, ele frequentemente orava com crentes enfermos até ficarem curados. Um biógrafo observa que “quase sempre suas orações eram respondidas, mas em algumas ocasiões não eram”. Nesses casos, Müller continuava orando sobre estes assuntos ou pessoas, por anos.

 

      GRANDES SONHOS, GRANDES RESULTADOS

 

      Além de trabalhar com Henry Graik na capela Bethesda, uma moderna igreja situada no coração de Bristol, Müller começou a sentir preocupação pelas massas de crianças órfãs, abandonadas, que estavam em toda parte, na Inglaterra do século 19. Em 1834, com Craik, ele fundou a "Scriptural Knowledge Institution for Home and Abroad" - SKI (“Instituição do Conhecimento Bíblico para a Pátria e Estrangeiro”), que continua até hoje. Seus objetivos eram: 1) estabelecer Escolas diárias, Escolas dominicais e Escolas para adultos onde as Escrituras fossem ensinadas; 2) distribuir Bíblias; 3) ajudar o serviço missionário.

 

      Durante a vida de Müller, o SKI proporcionou educação para muitos milhares de crianças e adultos, que de outro modo não poderiam ter ido à escola. Distribuiu milhares de Novos Testamentos, Bíblias e folhetos evangelísticos a preços reduzidos, em muitas línguas. Enviou o equivalente moderno de muitos milhões de dólares para missionários nacionais e estrangeiros. Durante um período de dois anos, Müller quase sustentou sozinho Hudson Taylor e 30 de seus colegas missionários na China.

 

      CUIDADO COM CRIANÇAS

 

      As maiores obras pelas quais Müller é lembrado – e deve ser guardado na memória que ele foi também um líder de igreja por excelência – são os orfanatos. Nestes, e em todo o seu trabalho, Mary Groves Müller manteve-se firme ao seu lado.

 

      Milhares de pais morreram na epidemia de cólera de 1834. Os poucos medicamentos e conhecimentos médicos precários, condições sociais ruins e leis trabalhistas infames multiplicavam os órfãos. Essas crianças infelizes tentavam sobreviver nas ruas, ou eram obrigadas a submeter-se às péssimas condições das oficinas de trabalho. Charles Dickens disse que os órfãos eram "desprezados por todos e ninguém se compadecia deles". As casas para órfãos do Estado eram poucas e quase não existiam as particulares. Todas elas serviam apenas às crianças das famílias de classes mais altas. Pobreza, crime e prostituição aguardavam o resto.

 

      Muitos fatores convergentes levaram Müller a começar um orfanato:

 

  1. Ele estava genuinamente preocupado com os órfãos de Bristol;
  2. Ele estava cansado de ouvir homens de negócios e operários dizerem que a necessidade financeira e a competição os proibiam de colocar Deus e Seus assuntos em primeiro lugar em suas vidas;
  3. Ele queria provar que Deus responde às orações e colocar "diante do mundo uma prova de que Deus de modo nenhum mudou. Isto me parecia feito melhor pelo estabelecimento de um orfanato. Devia ser algo que pudesse ser visto ainda que pelos olhos naturais".

 

      Em 1835, Müller colocou o seu plano diante da igreja de Bethesda. Imediatamente a congregação se uniu para sustentar o empreendimento. Móveis, utensílios, roupas e fundos chegaram. Dali em diante, Bethesda e seu círculo crescente de igrejas permaneceram inteiramente com Müller no cuidado dos órfãos. No começo, eles costumavam alugar casas para as crianças. Muitos crentes de Bethesda trabalhavam por tempo parcial ou integral nos orfanatos. Conheciam os detalhes particulares e as necessidades diárias ligadas a um tão grande projeto.

 

      Eles também compreendiam a convicção de Müller em não solicitar fundos – ele queria provar que Deus responderia às orações dos crentes. Müller escreveu: "eu não digo que estaria agindo contra os preceitos do Senhor se procurasse ajuda em Sua obra através de pedido pessoal e individual [apelos] aos crentes, mas eu faço assim para o benefício da igreja em geral". Ele era totalmente contrário, todavia, à possibilidade de que algum cristão fizesse apelos financeiros aos descrentes.

 

      DESENVOLVIMENTO DO ORFANATO

 

      Em 1836, Müller abriu a primeira casa, quando ainda não tinha 30 anos de idade. A comida para os órfãos chegava muitas vezes minutos antes da hora de ser servida, embora as crianças nunca soubessem disso. Mais e mais crianças suplicavam a Müller para recebê-las e ele alugava mais casas. Mas essas logo abarrotavam, por isso, em oração e conversa com os cristãos de Bristol, ele decidiu construir um grande e moderno edifício para os órfãos. Este projeto começou em 1845, exatamente quando a tempestade da divisão entre os Irmãos estava se formando em Plymouth. Em 1848, mesmo enquanto Darby estava atacando Müller, o primeiro dos imensos orfanatos estava quase completo. E enquanto a carta de Darby excomungando toda assembleia de Bethesda estava circulando pela Inglaterra e ao redor do mundo, o telhado foi estendido. Enquanto a divisão progredia e os antigos amigos se voltavam contra ele, Müller continuava esperando em Deus por fundos e provisões.

 

      Em 1870, depois de profundas e repetidas provas de fé, a última das cinco magníficas casas de pedra, para 2.000 órfãos, foi levantada exatamente fora de Bristol, em Ashley Down. Müller maravilhou-se com o que Deus tinha feito naqueles 34 anos, em resposta à fé e à oração. Além de providenciar comida e roupas para muitos milhares de órfãos, ele tinha a responsabilidade de levantar o "ordenado" mensal [salário] para mais de 100 empregados.

 

      As garotas órfãs eram treinadas como empregadas e costureiras, enquanto os rapazes aprendiam vários ofícios. A cada órfão era assegurado um emprego antes de deixar as casas, ou Müller pagava o salário de aprendiz deles ao patrão que os ensinaria uma profissão. Cada órfão saía com um jogo completo de roupas.

 

      Um homem que vivia próximo dos orfanatos disse que "sempre que ele sentia dúvidas sobre o Deus Vivo, vindo a sua mente, ele se levantava e olhava através da noite para as muitas janelas acesas em Ashley Down, brilhando na escuridão como estrelas no céu". Havia um imposto sobre janelas grandes quando Müller construiu os orfanatos, mas ele disse: "nós confiaremos em Deus para o dinheiro do imposto – deixem as crianças ter luz e ar!".

 

      Pessoas por todo o oeste da Inglaterra e ao redor do mundo ficavam sabendo sobre os orfanatos. Também reconheciam o poder e a provisão de Deus que, se tornavam acessíveis em resposta às orações fiéis de Müller e seus amigos.

 

      Tarde na vida, Müller, que falava sete línguas, viajou para 42 países em "viagens missionárias" e pregou o Evangelho para multidões de milhares. Seu alvo nessas viagens era, de acordo com o propósito de Antony Norris Groves, e dos Irmãos do início, quebrar as barreiras denominacionais e promover o amor fraternal entre os verdadeiros cristãos. Em três ocasiões visitou os Estados Unidos e Canadá, pregando centenas de vezes e, em quase todas, pessoas vieram a Cristo.

 

      Em 1878, Müller foi convidado para ir à Casa Branca, a fim de falar sobre os orfanatos ao presidente Rutherford B. Hayes. Provavelmente não contou ao presidente Hayes que foi enquanto John Nelson Darby estava tentando virar pessoas contra ele, Deus proveu os fundos para as grandes casas de órfãos.

 

      MÜLLER E O DINHEIRO

 

      Müller criou um regulamento fixo em que nem ele nem seus auxiliares jamais deveriam pedir a qualquer indivíduo qualquer coisa em particular, para "que a mão do Senhor pudesse ser claramente vista". Mas ele pedia ao Senhor que movesse pessoas para ofertar. Uma vez, quando um homem fez um grande donativo, Müller, muito satisfeito, visitou-o para agradecer; então mostrou ao homem a anotação em seu diário quando, meses antes, começou a rogar a Deus que aquele homem pudesse dar aquela quantia específica!

 

      O historiador Roy Coad observa, todavia, que "a lenda popular" tem escondido um tanto da natureza prática de Müller. "A lenda enfatiza um lado da moeda: a intensidade da confiança de Müller. Muitas vezes o outro lado tem sido esquecido – que os fundos para suprir a necessidade vieram de homens e mulheres que eram co-participantes com Müller de sua fé em Deus”.

 

      Müller havia atraído a igreja de Bethesda para dentro dos seus planos do orfanato desde o início. Ele usava vários sistemas de relatórios para mantê-la informada, e os outros também, do que acontecia:

 

      1) Todo mês de dezembro, por três noites, Müller presidia reuniões públicas para informar as igrejas de Bristol e o público a respeito do ano que se havia passado.

 

      2) Todos os anos, ele escrevia e publicava um "Relatório Anual" com detalhes financeiros e notas sobre eventos importantes do ano se havia passado e alguma ideia do que esperava dos anos vindouros. Estes eram dados ou vendidos a pessoas interessadas e circulavam ao redor do mundo.

 

      3) Em 1837, Müller soltou a primeira edição de A Narrative of Some of the Lord’s Dealings with George Müller (Uma Narrativa de alguns dos procedimentos do Senhor para com George Müller), um livro consideravelmente grande, de seleções de seu diário que graficamente descrevia como o Senhor repetidamente providenciava ajuda para os órfãos através de diferentes pessoas. Esta narrativa era regularmente atualizada e aparecia em intervalos de cinco anos, até tornar-se uma coleção de quatro volumes. Muitas pessoas enviavam donativos anexos a suas cartas nas quais diziam a Müller que sabiam de sua necessidade pela leitura dos “Relatórios Anuais da Narrativa”.

 

      4) Depois que Müller contou aos amigos seu plano de construir as grandes casas para órfãos, em Ashey Down, eles espalharam a notícia através da Inglaterra. Müller notou isso. Mas não parecia preocupado com o fato de que muitos milhares de pessoas soubessem do que ele estava pedindo a Deus para fazer. Ele acreditava que qualquer que fosse o meio, é Deus quem motiva as pessoas para ofertar. (De 1882 em diante, o rendimento de Müller diminuiu e ele teve que reduzir muito a SKI e os programas do orfanato. Durante o mesmo período, todavia, o governo Inglês começou a providenciar um melhor cuidado para os órfãos).

 

      Uma vez, Charles Dickens apareceu em Ashley Down para "investigar" o que Müller estava fazendo a estes órfãos. Müller deu as chaves para Dickens e mandou um assistente mostrar-lhe qualquer coisa que quisesse ver. Depois da investigação, Dickens disse a Müller que acreditava que os órfãos estavam sendo muito bem cuidados.

 

      SUA IDA AO LAR

 

      George Müller morreu na manhã de 10 de março de 1898, aos 92 anos. Ele participou ativamente, enquanto viveu, em Bethesda e nos orfanatos até o dia anterior da sua morte. Milhares de pessoas lotavam as ruas para ver o cortejo funeral do imigrante alemão que, segundo o jornal The Bristol Mercury, foi "a maior personalidade que Bristol conheceu como cidadão nesta geração". Sete mil pessoas lotaram o cemitério para ver o sepultamento.

 

      O Bristol Evening News escreveu que "na era do agnosticismo e materialismo, ele pôs em prática teorias sobre as quais muitos homens estavam contentes em sustentar uma controvérsia inútil".

 

      O Liverpool Mercury maravilhou-se por causa da provisão para milhares de crianças e perguntou como isto aconteceu. "Müller disse ao mundo que foi o resultado de Oração. O racionalismo de hoje zombará desta declaração. Mas os fatos permanecem, e permanecem para serem explicados. Não seria científico desdenhar das ocorrências históricas quando elas são difíceis de esclarecer. E seria necessário muito truque para fazer os orfanatos em Ashley Down sumir da vista".

 

      De sua parte, Müller já havia escrito: "eu sei que belo, gracioso e generoso ser Deus é pela revelação que Ele se agradou em fazer de Si mesmo na Sua santa Palavra. Eu acredito nesta revelação. Também sei por minha própria experiência da veracidade disso. Portanto, eu estava satisfeito com Deus. Me regozijava em Deus. E o resultado é que Ele realizou o desejo do meu coração".

 

      George Müller acreditava que Deus faz o mesmo por qualquer um que O busque!

 

Fonte: http://www.verdade-viva.net

 


 

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JOHN HUSS


    John Huss nasceu entre os anos de 1369 e 1371. Sua família era camponesa e vivia na pequena aldeia de Hussinek, na Boêmia.

      Ingressou na universidade de Praga quando tinha uns dezessete anos. A partir de então toda a sua vida transcorreu na capital de seu país, a não ser seus dois anos de exílio e encarceramento em Constança.

      No ano de 1402 ele foi nomeado reitor e pregador da capela de Belém. Foi ali que ele pregou, com dedicação, a reforma que tantos outros buscavam desde os tempos de Carlos IV. Alguns dos membros mais destacados da hierarquia começaram a encará-lo com receio, mas boa parte do povo e da nobreza parecia segui-lo, e o apoio da realeza ainda era suficientemente importante para que os prelados não se atrevessem a tomar medidas contra Huss.

      Como pregador na capela de Belém e reitor da universidade, ele tinha ótima posição para impulsionar a reforma. Ao mesmo tempo que pregava contra os abusos que encontrava na igreja, Huss continuava sustentando as doutrinas geralmente aceitas. Isso não dava brecha nem mesmo para seus piores inimigos e era difícil, assim, censurar sua vida ou sua ortodoxia. Huss era muito gentil e contava muito com o apoio popular. Ao mesmo tempo que questionava alguns pontos da doutrina da igreja, ele reafirmava outros e isso lhe dava a chance de continuar seu trabalho sem ser acusado.

       Influenciado pelo reformador inglês John Wycliff, interroga-se seriamente acerca das conseqüências práticas de obediência a Cristo e começa a pregar sermões, na sua língua, criticando fortemente o poder temporal da Igreja de Roma e os abusos cometidos pela hierarquia eclesiástica, influenciado pelo estudo de Wycliff sobre o “senhorio”. A sua luta contra as autoridades da Igreja não eram exatamente de ordem teológica (apesar de afirmar que o fundamento da Igreja é Cristo e não Pedro). Vemos, na verdade, ele questionando a ordem prática e a disciplina eclesiástica, tais como ministrar a Ceia em apenas uma das espécies aos fiéis, quer dizer, na celebração da Ceia, o cálice era para uso exclusivo do celebrante e proibido aos fiéis. Huss denunciou fortemente essa prática como sendo contrária ao ensino das Escrituras e à antiga tradição da Igreja. A venda abusiva das indulgências constitui outro motivo da sua discordância. Toda esta atividade vai levá-lo a dedicar-se à causa da reforma da Igreja.

      Nessa época, por conta dos resultados do Concílio de Pisa, havia três papas. O Imperador Venceslau apoiava o papa pisano, enquanto o arcebispo de Praga e os alemães da universidade apoiavam Gregório XII.

      Mais tarde, o arcebispo se submeteu à vontade do rei, e reconheceu o papa pisano, mas solicitou a esse papa, Alexandre V, que proibisse a posse da obras de Wycliff. O papa concordou. A proibição foi além! Proibiu também as pregações fora das catedrais, dos mosteiros ou das igrejas paroquiais.

      A capela de Belém, onde estava Huss, não se enquadrava em nenhum dos locais. Portanto, a pregação em seu púpito estava proibida! E ele tinha agora de fazer a difícil escolha entre desobedecer o papa ou deixar de pregar.

      Com o passar do tempo sua consciência se impôs. Ele subiu ao púlpito e continuou pregando a tão ansiada reforma. Este foi seu primeiro ato de desobediência.

      Outros atos de desobediência se seguiram, em nome de realizar o seu trabalho. Por fim, o Cardeal Colonna o excomungou em 1411, em nome do papa, por não ter aceito à convocação papal.

      Mesmo assim, Huss continuou pregando em Belém e participando da vida eclesiástica, pois contava com o apoio dos reis e de boa parte do país, o que permitiu a Huss chegar a um dos pontos mais revolucionários da sua doutrina. Um papa indigno, que se opunha ao bem-estar da igreja, não deve ser obedecido. Huss não estava dizendo que o papa não era legítimo, pois continuava favorável ao papa pisano, mas que suas atitudes não estavam corretas e que a obediência a ele poderia ser questionada, mesmo ele sendo legítimo, em sua opinião. Seria apenas para que pudesse haver a chance de uma conversa para esclarecimentos e acertos.

      Mas muitas situações aconteceram, tanto no questionamento de seu trabalho, como na disputa entre os papas na época, que levaram Huss a tomar a decisão de abandonar a cidade onde tinha passado a maior parte de sua vida.

      No dia 5 de junho de 1415 Huss compareceu diante do concilio de Constança, que mostrava grandes possibilidades de mudanças na vida da Igreja. Poucos dias antes o papa João XXIII tinha sido aprisionado e trazido de volta para Constança. Como Huss tivera seus piores conflitos com ele, era de se supor que a situação do reformador melhoraria.

      Mas sucedeu o contrário!

      Foi acusado formalmente de ser herege, e de seguir as doutrinas de Wycliff. Huss tentou expor suas opiniões, mas a algazarra foi tamanha que ele não teve chance.

      Depois de adiamentos e novas datas, o cardeal Zabarella preparou um documento que exigia de Huss que se retratasse e Huss respondeu: "Apelo a Jesus Cristo, o único juiz todo-poderoso e totalmente Justo. Em suas mãos eu deponho a minha causa, pois Ele há de julgar cada um não com base em testemunhos falsos e concílios errados, mas na verdadeira justiça”. Mesmo preso por vários dias, na tentativa que ele se retratasse diante do Concílio, Huss continuou firme.

      No dia 6 de julho, ele foi levado para o catedral de Constança. Ali, depois de um sermão sobre a teimosia dos hereges, ele foi vestido de sacerdote e recebeu o cálice, somente para logo em seguida lhe arrebatarem ambos, em sinal que estava perdendo suas ordens sacerdotais. Depois lhe cortaram o cabelo para estragar o corte específico da sua posição. Por último lhe colocaram na cabeça uma coroa de papel decorada com diabinhos, e o enviaram para a fogueira.

      A caminho do suplício, ele teve de passar por uma pira onde ardiam seus livros. Mas uma vez o pediram que retratasse e mais uma vez ele negou com firmeza. Por fim, orou dizendo: "Senhor Jesus, por ti sofro com paciência esta morte cruel. Rogo-te que tenhas misericórdia dos meus inimigos."

Fonte: http://www.compartilhandonaweb.com.br

 


 

Jonathan Edwards

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      Em novembro de 1620, os assim chamados "pais peregrinos" puritanos que deixaram a Inglaterra, desembarcaram do Mayflower na baía do Cape Cod, Plymouth, Nova Inglaterra. Eles haviam deixado a Inglaterra em razão de perseguições sofridas por se oporem fortemente, tanto a maneira de culto, como de governo que vinham permanecendo na igreja inglesa. Eram 41 homens e suas famílias, cerca de 100 peregrinos, número este que, dentro de 20 anos aumentaria para mais de 20 mil, quando reunidos em uma praia da baia de Massachussets.
O grande interior deste território era praticamente desconhecido. Mas isso não impediu que o eminente pregador puritano Thomas Hooker partisse para a direção oeste da baía em junho de 1636. Pelo espaço de aproximadamente 15 dias, parte do povo que o seguira, de mais ou menos 100 pessoas, caminhou até alcançar Connecticut. Estabeleceram-se então ali, em um lugar que eles nomearam Hartford. Em uma pequena distância ao norte deste local ficava Windsor, onde haveria de nascer o grande Jonathan Edwards.
      Como Benjamim Trumbull escreveu a respeito de Connecticut: "Naquela época este território era apenas um vasto deserto. Ali não havia campos agradáveis, nem jardins, nem estradas públicas, nem pedaços de terra limpos". Em outras palavras, todo aquele lugar se resumia em floresta, água, ou mata queimada e destruída pelos índios, em razão das perseguições a veados e de outros jogos que ocorriam naquela época.
      Entre aqueles que viajaram com Hooker estava Ann Coles que, com seu marido, havia trocado as superlotadas ruas da capital da Inglaterra, por esta fronteira colonial. No período de 1620, quando o Mayflower chegou a Plymouth, ela ainda vivia em Londres como a esposa de Richard Edwards que fora um clérigo nativo do País de Gales e mestre de ensino trabalhando na Ratcliffe Free School até sua morte repentina em 1625. Então Ann casou-se com James Coles e, nos 18 anos de seu filho, Willians Edwards, fruto do primeiro casamento, os três viajaram juntos para a Nova Inglaterra, hoje Estados Unidos.
      Eles, porém, não viajaram sozinhos, mas na companhia daqueles que encontraram um lugar desabitado na América onde tiveram a oportunidade de gozar a prática da pura adoração do Senhor Jesus Cristo, algo que os puritanos tanto almejavam.
      Willians Edwardsfoi a primeira geração da linhagem dos Edwards na Nova Inglaterra. Ele seguiu o comércio. Já o filho de Willians, nascido em 1647 foi o avô de Jonathan. Seu nome era Richard Edwards, homem que, na sua velhice, aos 71 anos de idade, haveria de ser um comerciante moderadamente próspero e que lutaria pela estabilização do comércio da cidade. E em sua morte, deixaria um patrimônio que refletia seu sucesso como homem de negócios. Isso não significa que teve vida fácil, mas era um homem que não se deixava abater pelas provações e que possuía a fidelidade, a vigilância e a humildade de um verdadeiro adorador.
      Em 1667 Richard casou-se com Elizabeth Tuttle, que foi sua maior provação. Eles eram um casal aparentemente singular, até Elizabeth dar à luz a um filho de outro homem, posto que recorrera repetidas vezes a infidelidade conjugal nos anos que se seguiram. Mais tarde este fato foi associado com evidência de insanidade.
      Timothy Edwards, filho do casal, nada notificou a respeito de sua mãe, mas tinha uma profunda admiração pelo caráter de seu pai: "Ele era naturalmente alegre, esperto e de temperamento agradável, de hábil leitura e que possuía mente vasta e criativo conhecimento, particularmente de história e teologia, e em conversa era, de forma incomum, agradável e divertido".
      Mas foi como um cristão que Timothy veio amar mais a seu pai: "Na presença de Deus ele não comparecia somente para crer, mas para o encanto e prazer... nas orações ele semeava para colher a proximidade com Deus... seus sentimentos sobre a religião eram de sujeição e afetuosos...".
Quando Timothy deixou pela primeira vez o seu lar, em 1687, para o Harvard College, seu pai deu-lhe todo o encorajamento. Em uma ocasião ele escreveu: "Você pode esperar encontrar dificuldades, mas Deus é ainda Todo Suficiente; Deus é o mesmo em todos os lugares e em todas as condições". Timothy certamente precisou de encorajamento. Seu nome foi difamado em Harvard, em função de suas dificuldades familiares. Em 4 de julho de 1691, porém, graduou-se com a Harvard Class, recebendo, ao mesmo tempo, dois graus juntos, os de Bacharel e Mestre em Artes, em razão da correção de um mal entendido que ocorrera.
      Em algum momento daqueles anos em que Timothy fora estudante, encontrou sua futura esposa, Esther Stoddard, que seria a mãe de Jonathan Edwards. Ela pertencia a uma família incomum e respeitada, possuindo um dos nomes mais respeitados da Nova Inglaterra. Os Stoddard eram líderes em várias terras, até chegar na geração de seu pai, Solomon Stoddard, que já havia começado o seu eminente ministério em Northampton em 1669 como pastor de uma Igreja Congregacional.
      Até então Northampton tornara-se a mais ampla cidade do interior de Massachussets e o púlpito de Solomon Stoddard, uma das maiores influências na colônia inteira. E quando George Whitefield, o grande pregador evangelista, visitaria a Nova Inglaterra em 1740, a fama de sua pregação ainda era matéria de conversa comum.
      Em 1694 Timothy foi convidado por uma paróquia em Windsor para iniciar seu ministério. Em 6 de novembro do mesmo ano, casou-se com Esther Stoddard em Northampton e, 8 dias mais tarde, eles foram para Windsor.
      Timothy tinha 25 anos e Esther 23. E, em março de 1695 ele foi ordenado como pastor. Foi um período que serviu profundamente para confirmar seu chamado. Então, no dia 5 de outubro de 1703, nesta mesma cidade de East Windsor, nasceu Jonathan Edwards. Quatro irmãs, Esther, Elizabeth, Ann e Mary, teriam vindo antes dele. E outras seis estariam para vir depois. Enfim, Jonathan Edwards seria o único filho homem entre as suas dez irmãs.

DA INFÂNCIA À FORMAÇÃO
      Timothy Edwards exerceu grande influência na educação de seus filhos. Desde cedo Jonathan já convivia com os problemas e dificuldades do ministério pastoral de seu pai. Por parte de seu pai, Jonathan herdou o vigor de entendimento, a vivacidade, a disposição, a disciplina e coisas desse gênero. De sua mãe, absorveu a gentileza, a nobreza e a educação.
      Jonathan Edwards desde muito cedo aprendeu o respeito e a reverência pelas coisas de Deus no seu lar. A exemplo disso, sua mãe, depois de 20 anos de casamento, ainda possuía um zelo tão grande acerca das coisas celestiais que tinha receio e temor de professar sua fé em Cristo publicamente. Na verdade Esther Edwards pertencia a uma tradição que possuía um grande medo de uma conversão superficial e prematura. Diga-se de passagem, que era uma tendência extrema oposta a dos dias de hoje, quando se apela emocionalmente para decisões precipitadas, mesmo antes de se ter apresentado o sólido conteúdo do Evangelho em uma pregação. Não deve haver dúvida de que ela era singularmente piedosa, antes mesmo de experimentar a força da segurança de sua própria salvação. E de fato Esther influenciou muito seu filho com sua misteriosa e profunda espiritualidade e devoção, sua paixão pelos livros e seu conhecimento teológico.
      Timothy possuía conhecimento do grego e do latim clássicos, que sempre estavam ao lado da Bíblia. Se interessava por poesia e pelo estudo da natureza - isso foi assimilado por Edwards, pois apreciava a beleza da natureza. Este ficava fascinado nos fins de agosto e inicio de setembro quando via a abundância dos insetos voando, inclusive a borboleta e a mariposa. Portanto, a admiração de Edwards pela Criação começou na sua infância em East Windsor para culminar em um bom observador da natureza.
      Aos 12 anos chegaria até a escrever um ensaio sobre os hábitos das aranhas, baseado em suas próprias observações, o que revela um gênio indutivo e empírico de primeira ordem. O Dr. McCook, autor de uma monografia sobre o assunto, confessa ter aprendido com o "maestro Jonathan Edwards", que já havia descrito 150 anos antes o que ele pensara haver descoberto.
       Já o professor Benjamim Silliman, falando sobre Edwards, assim se expressou: "Se ele tivesse se dedicado à ciência física, poderia ter havido outro Newton na extraordinária época em que começou sua carreira". Segundo Stob, "Jonathan não se entregou à física, não pela incapacidade para tais estudos, mas por uma profunda convicção de que a física e o externo tem pouco peso comparado ao interno e espiritual".
      Mas seu pai, de fato, lhe ensinou muitas coisas e teve uma larga influência sobre sua educação. Seu método educacional era comum naqueles dias. Com a idade de 7 anos, Edwards já memorizava o latim. Mas esse treinamento era balanceado com o encorajamento para um auto-empenho e para a iniciativa individual. Toda palavra deveria, além de ser recitada, escrita de forma acurada, posto que Timothy tinha a escrita como essencial. O hábito de escrever foi transmitido desde sua tenra infância, para permanecer com ele por todos os seus dias de existência. Quando estava próximo de completar seus 8 anos de idade, Jonathan experimentou sua primeira grande crise de infância no lar. Foi em 1711, quando eclodiu um conflito de interesses entre britânicos e franceses na América do Norte. Isso trouxe conseqüências no lar da família Edwards, porque Timothy foi convocado para servir de capelão.Este fato, naturalmente, afetou Jonathan em seu aprendizado no lar. Por outro lado, ele aprendeu muito com a vida ministerial de seu pai. Começou a perceber que o pastorado de uma Igreja traz consigo problemas inevitáveis. Entre a idade de 7 e 11 anos, Edwards viveria um considerável conflito na paróquia de seu pai. O conflito se deu em razão da necessidade de um novo local para as reuniões. A construção original havia sido submetida a algumas melhorias, mas se tornara pequena por causa do crescimento da congregação. Mas depois de muitos conflitos, tudo acabou se resolvendo em 1714, quando o novo local de reuniões foi terminado. A nova construção haveria de ser concluída ao lado da construção original e ali estaria situada.
      No curso do ministério de Timothy, houve numerosas dificuldades paroquiais: na questão dos rendimentos, na questão da autoridade dos ministros e principalmente na questão do governo da Igreja. O acordo original de todas as igrejas da Nova Inglaterra era estritamente congregacional, sendo que cada congregação possuía completa liberdade e independência, investida do poder de decisão. Mas as congregações possuíam ministros de tal autoridade pessoal e prestígio que, sua posição de liderança raramente era desafiada pelo poder da fraternidade.
      Desta forma, nesta diferente época de decisão, Timothy foi, como outros ministros, forçado a enfatizar a prerrogativa de líder, estando já avançado em East Windsor, quanto a esse particular. Na verdade, estava sendo introduzido uma espécie de autoritarismo clerical, algo que não era visto 50 anos antes.
      Em 1630 as paróquias haviam sofrido juntas em razão de sua fé. Neste ano, Connecticut possuía somente 4 cidades e cerca de 800 pessoas. Mas no fim deste mesmo século, as cidades de Connecticut tinham crescido para 30 e a população aumentado para 30 mil. Nos trinta anos que se seguiram, anos da juventude de Jonathan, o crescimento populacional foi notavelmente rápido.
      Este crescimento populacional trouxe, como conseqüência, a queda do padrão da membresia nas paróquias e muitos não tinham ligação com igrejas. A espiritualidade dos membros caiu consideravelmente e, tinham uma atitude diferente com relação à autoridade dos pastores. É muito interessante notar o quanto um cristianismo meramente nominal na membresia das igrejas afeta o respeito à autoridade dos líderes espirituais. Consequentemente a idéia de controle popular versus comando de uma elite já estava começando a encontrar suporte nas igrejas. Não se tinha uma visão espiritual do ofício do pastor, nem da postura dos membros, agora havia um ponto de vista diferente de ambos. E os líderes ministeriais acreditavam que esse declínio espiritual fez aumentar a dúvida da competência da congregação local para o governo em seus próprios assuntos.
      O resultado foi que, por um lado, não se desejava uma democracia popular e, por outro lado, não se queria um prelado independente, não obstante, dando espaço para o presbiterianismo. Daí, começaria a se formar uma espécie de associação, onde ministros eram encarregados do exercício de supervisão mútua da Igreja como um todo.
      Em meio a todos esses conflitos, Edwards permanecia observando, aprendendo, crescendo e, em sua juventude, vivia ocasiões que contribuiriam para sua futura formação. Esses problemas fundamentais eram profundos e, na questão do governo da Igreja, muitas vezes os próprios ministros eram parte do problema. Nas palavras de Richard Webster: "Uma vasta mudança era visível nas igrejas de Nova Inglaterra: A disciplina era relaxada, a doutrina era diluída, e a pregação era dócil e superficial".
      Mas essa condição extrema não era universal. Além de Jonathan Edwards não ser de conflitos paroquiais, em East Windsor, tanto na Igreja como no lar, ele experimentou um pouco do genuíno avivamento da religião. Havia ocasiões em que a presença de Deus era especialmente evidente na comunidade. Quando o senso da eternidade se enfraquecia, de repente uma extraordinária seriedade espiritual penetrava a paróquia como um todo.
      Numerosos cristãos nominais passavam da morte para a vida, enquanto outros cristãos regozijavam-se na completa segurança da fé. No final de sua vida, escrevendo sobre essa época, Edwards disse: "A Paróquia de meu estimado pai tinha, em ocasiões, sido um lugar bastante favorecido com as misericórdias dessa natureza, no lado oeste da Nova Inglaterra, exceto Northampton, que experimentou 4 ou 5 derramamentos do Espírito para um despertamento geral do povo".
      Jonathan viveu 2 períodos de reavivamento em sua infância. Falando de sua experiência pessoal ele escreve: "Eu tive uma diversidade de inquietações e exercícios acerca de minha alma na infância; mas tive duas ocasiões mais notáveis de despertamento, antes de encontrar aquela mudança pela qual fui conduzido, para estas novas disposições, este novo senso das coisas, que tenho tido desde então. O primeiro momento foi quando eu era menino, alguns anos antes de ter ido para o colégio, em uma ocasião de despertamento na congregação de meu pai. Fui então muitíssimo afetado por muitos meses, e inquietado acerca das coisas da religião, e da salvação da minha alma... experimentei e não conhecia aquele tipo de deleite na religião.
      Minha mente estava muito engajada nisto, tinha muita satisfação em minha própria justiça, e foi meu prazer abundar nos deveres religiosos. Eu e alguns dos meus colegas de escola nos unimos e juntos construímos uma barraca em um brejo, em um sítio bem retirado, para ser um lugar de oração. E, além disso, eu tinha um local particular e secreto propriamente meu na floresta, onde eu usava para retirar-me, e fui durante um tempo muito afetado.
..".

      Em outubro de 1716, antes de completar seus 13 anos, Jonathan Edwards ingressou no Yale College. O Dr. Alderi comenta que, "aos treze anos ele já havia adquirido um respeitável conhecimento de grego e de hebraico". Timothy, seu pai, havia estudado no Harvard College. E antes de 1701 o Harvard College era o campo de treinamento para os estudantes da colônia. A visão dos fundadores era que cada um pudesse considerar, como principal fim de sua vida e estudos, conhecer a Deus em Jesus Cristo. Mas Timothy já havia experimentado na prática a atmosfera deste colégio e teve suas razões de ter medo, pois de fato, a vida intelectual da Inglaterra seria afetada pelo crescimento da secularização. Apesar do Collegiate School of Connecticut ter sido freqüente matéria de debate no lar de Jonathan Edwards, era uma velha escola de tradição puritana, onde ele certamente ficaria seguro das influências da secularização.
      Os fundadores da escola não negavam estas verdades, ensinando a teologia prática do sabath, apoiando-se na doutrina da confissão de Westminster, em todos os caminhos com a melhor discrição e em todo tempo com esmerado empenho na educação dos estudantes. E tudo isso para promover o poder e a pureza da religião e a melhor edificação das igrejas da Nova Inglaterra. Portanto, Timothy não hesitou em prezar por Yale (pois o Colegiate School of Connecticut mais tarde seria chamada Yale College).

Yale University - New HavenNa época em que Edwards estava preparado para começar seus estudos, a escola ainda não tinha lugar específico nem definido. A escola funcionava de acordo com a localização dos tutores, até encontrarem um lugar permanente. Houve vigorosa disputa pela honra de receber as instalações do colégio. Não se sabia se em Saybrook ou New Haven, se em Wethersfield ou Hartford. Então no dia 12 de setembro de 1716, quando o nome de Jonathan Edwards estava entre os primeiranistas e a escola funcionava em New Haven, os administradores se encontraram em Saybrook a fim de determinarem o local das instalações. No entanto a conclusão ainda não seria tomada e Edwards, com mais nove primeiranistas da cidade do rio Connecticut, uniram-se a um grupo já estabelecido em Wethersfield. Nesta época estava em voga a "nova filosofia" e nomes como o de Descartes, Boyle, Locke e Newton. E era dito que isso traria uma corrupção da pura religião. Aos 13 anos de idade Jonathan leria a famosa obra de John Locke "Ensaio Sobre o Entendimento Humano" - que exerceria uma poderosa influência sobre ele. Locke foi um filósofo inglês cujas idéias exerceram grande influência sobre a política e a filosofia.
      Jonathan Edwards, entre outras coisas, se tornaria um grande metafísico. James Wardsmith afirmou que somente Jonathan, dentre todos os teólogos norte-americanos dos séculos XVIII e XIX, entendia o espírito mais profundo bem como o conteúdo superficial da nova ciência associada com Newton e Locke. Segundo Edwards, descobrir as razões das coisas na filosofia natural é descobrir a proporção da atuação de Deus. Manoel Canuto disse que Edwards: "Nas afirmações éticas, zelava contra a nova filosofia moral do iluminismo do século XVIII que afirmava serem os seres humanos possuidores de senso natural que, se fosse cultivado pela educação, poderia mostrar o caminho para uma vida virtuosa". Mas sobre isso Jonathan reagiria dizendo que a vida verdadeira não poderia existir sem Deus e a revelação.
      Este período foi marcado por crises acadêmicas que durariam até a assembléia geral de Connecticut, em outubro de 1718. Ali foram tomadas medidas conciliatórias que fizeram com que Edwards e outros se unissem a classe de terceiro ano em New Haven também em outubro.
      Pouco subsiste sobre a vida de Jonathan Edwards nesta época, exceto uma carta, escrita por ele, a sua irmã Mary que estava em Northampton. A expectativa desta carta fora satisfeita com a remoção de todos os estudantes de Wethersfield para New Haven no início do verão de 1719.
      No Yale College a instrução na doutrina cristã fazia parte do curriculum semanal. Jony Wollebius e Willian Ames eram autores chaves da literatura e a Assembléia de Westminster e o breve catecismo eram recitados cada sábado à noite. Quando Edwards tinha 16 anos, em 1719, recebeu 16 honras, sendo ele um estudante ainda não graduado. E entre aqueles que receberam o Bacharelado em Artes, seu nome estava em destaque. Após este período, ele continuou seus estudos por mais dois anos em New Haven, para mais tarde receber, também com destaque, a graduação de Mestre em Artes.
         Foi neste tempo, aproximadamente em maio ou abril de 1721 que Edwards experimentou sua conversão. Sobre isso ele destaca: "O primeiro momento que eu me lembro daquele tipo de deleite interior em Deus e nas coisas divinas, e, desde então tenho experimentado isso, foi na leitura daquelas palavras de 1Timóteo 1:17. "Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém." Na medida em que eu lia as palavras, veio em minha alma, como se estivesse derramado por toda ela, um senso da glória do Ser Divino; um novo senso, muito diferente de qualquer coisa que eu tenha experimentado antes. Nunca outras palavras da Bíblia pareceram iguais a estas palavras. Eu pensei comigo mesmo, quão excelente aquele Ser era e quão feliz eu deveria ser se eu pudesse desfrutar daquele Deus e ser levado para Deus no Céu e ser de fato envolvido por Ele. Eu continuei dizendo e, de fato, cantando estas palavras da Bíblia para mim mesmo; e fui orar, orar a Deus para que eu pudesse desfrutá-Lo, e orei de uma maneira realmente diferente daquela que costumava fazer, com um novo tipo de afeição.
      Mas nunca veio ao meu pensamento que aquilo era algo espiritual, ou de uma maneira salvadora. A partir daquele tempo, eu comecei a ter um novo tipo de compreensão e idéias a respeito de Cristo, e da obra da redenção e do glorioso caminho da salvação através Dele. Eu tinha um doce senso interior destas coisas, que, às vezes, vinham ao meu coração; e a minha alma era conduzida em agradáveis vistas e contemplações delas. E a minha mente estava grandemente engajada em gastar meu tempo em ler e meditar sobre Cristo; e a beleza e a excelência de Sua pessoa, e o amável caminho da salvação, pela livre graça. Nele... Este senso que eu tinha das coisas divinas freqüentemente e repentinamente se inflamava, como uma doce chama em meu coração; um ardor de alma, que eu não sei como expressar" (1617).
      Edwards concluiu sua tese de mestrado no verão de 1723 e no outono recebeu seu título de Mestre em Artes pelo Yale College

DO MINISTÉRIO À MORTE
Seu ministério pode ser dividido em 3 partes. Primeiramente Edwards teve uma experiência de 8 meses como pastor em New York. Em segundo lugar vem o pastorado da igreja de seu avô em Northampton em 1726, na qual permaneceria os próximos 23 anos de seu ministério. E em terceiro lugar Stockbridge, uma região remota da colônia de Massachussets, onde trabalhou como pastor dos colonos e missionário entre os índios.
De fato uma grande mudança de interesses ocorreu na vida de Edwards no tempo de sua conversão. E apesar de concluir e receber o grau de mestrado só em 1723, em 1722 ele já estava licenciado para o trabalho do ministério. Na ocasião ele tinha 19 anos.
      Veio então uma solicitação pedindo um pregador para suprir uma nova congregação em New York. Foi recomendado exatamente o nome de Edwards. O convite foi aceito e no início de agosto de 1722 ele começou a pregar regularmente nesta congregação de New York.
      O que ele mais queria era gozar a Palavra de Deus. Mais tarde ele escreveria: "Eu tinha então, e depois disso, o maior deleite nas Santas Escrituras e em alguns outros livros. Tempos depois, a leitura de cada palavra parecia tocar meu coração. Eu sentia harmonia entre algumas coisas em meu coração, doce e poderosamente. Então eu parecia ver muita luz exibida em cada sentença, como um refrescante alimento sendo comunicado, e não podia parar ao longo da leitura, porque possuía uma visão de admiração; residindo na extensão de uma sentença e cada sentença parecia admirável".
      Além de ser um tempo em que Edwards perseguiu vigorosamente a santidade, visto que foi neste período que desenvolveu suas resoluções, foi também um tempo em que deu início a uma série de escritos. Como seu pai mesmo o treinara desde muito cedo, ele pensava e estudava com a caneta na mão. Ali escreveu suas miscelâneas e breves análises científicas, seus primeiros sermões e suas resoluções. Em seus sermões ele trabalhava com a tríplice estrutura puritana de um sermão, que continha a explanação do texto, a doutrina e a aplicação. Desta época de fervor de Edwards por buscar as coisas de Deus, quando esteve em New York, ele registra em sua "Narrativa Pessoal": "Muito freqüentemente procurei me retirar para um lugar solitário, às margens do rio Hudson, a alguma distância da cidade, para a contemplação das coisas divinas e secreta conversa com Deus, e tive horas de muita doçura. Às vezes eu e o senhor Smith caminhávamos juntos, para conversar sobre as coisas de Deus; a nossa conversa encaminhou-se muito para o avanço do Reino de Cristo no mundo, e a glória das coisas que o Senhor efetuaria por sua Igreja nos últimos tempos”.
      Mas nesse tempo ele não ficou livre das dificuldades. Em seu diário ele fala sobre os dias em que sentiu frieza e a queda daquele calor espiritual. Porquanto havia dificuldades nesta congregação. Ela fora formada em 1716 e seu primeiro pastor tinha sido o reverendo James Anderson. Por motivo de crescimento eles haviam construído na Wall Street, perto da Broadway, em 1719. Mas o fato era que Jonathan Edwards deixaria esta congregação em 1723, depois de 8 meses de trabalho. Acerca disso ele escreve: "Considerando as circunstâncias da sociedade e a vontade de meu Pai, parece mais provável que eu não continuarei aqui, então estou pronto a pensar que partirei na primavera". Portanto por motivos de convicção Edwards deixou a igreja de New York e voltou para East Windsor em abril de 1723. E no verão daquele ano receberia convites de outras igrejas. Foi um período de intenso estudo e crescimento intelectual, dando particular atenção para a conclusão de sua tese de mestrado. E em setembro de 1723 recebeu seu grau de Mestre em Artes e em 1724 foi eleito tutor em Yale. A respeito disso ele escreve: "Agora percebo plenamente que estou debaixo de grande obrigação para amar e honrar meus pais. Tenho grande razão para crer que estes conselhos e educação têm sido minhas realizações".
      Foi quando Jonathan atuou como professor assistente no Yale por dois anos. Iain Murray, falando a respeito desse período disse que com a idade de 22 anos Edwards já era maduro para ser dogmático.
      Então em 1726, aos 23 anos de idade, ele passou a trabalhar ao lado de seu avô, Solomon Stoddard (1643-1729), como pastor assistente. Esta grande e elegante Igreja Congregacional ficava em Northampton, estado de New Hampshire, e seu avô, o idoso Solomon Stoddard, grande homem de vida eclesiástica do Vale de Connecticut, que com 83 anos de idade, vinha ministrando. Sem exagero pode-se considerar quase uma vida, sendo, pois, um homem muito conhecido e influente em Northampton, cidade de aproximadamente 2000 habitantes. Além disso, Stoddard era o ministro mais velho da província.. A maioria dos membros havia crescido sob o seu ministério. E tirando a congregação de Boston, a sua igreja era a mais conhecida e influente da Nova Inglaterra. Houve época em que esta igreja chegou a ter 620 membros.
      O circulo de líderes daquela igreja via a necessidade de alguém para ajudá-lo e em abril de 1725 eles resolveram procurar uma pessoa para assisti-lo em seu trabalho. As ocasionais indisposições de Stoddard já tinham trazido até o púlpito de Northampton a presença de alguns ministros visitantes, um deles seu filho Antony, o mais freqüente e também pastor de Woodbury, Connecticut.
      Dos dois filhos do velho pastor que atingiram a fase adulta, somente Antony interessou-se pelo ministério, mas suas cinco filhas, incluindo Esther, a mãe de Edwards, todas casaram com ministros, e alguns dos filhos delas já eram também ministros. A mais proeminente família dos que se uniram aos Stoddard foram os Willians. Cristina Stoddard, 4 anos mais nova do que Esther, havia casado com o reverendo William Willians, um dos mais conhecidos pastores do oeste de Massachussets. O fruto do casamento anterior do reverendo Willians, fora Elisha que havia lecionado para Edwards no Yale. E os dois filhos de Cristian Stoddard e William Willians eram figuras públicas. Eram Solomon (1700-1776) que seguiu seu pai no ministério em Israel (1709-1788) que mais tarde seria o governador de Hampshire. Solomon Willians era a mais aproximada possibilidade de suceder seu avô, Solomon Stoddard. Contudo a Igreja Congregacional de Northampton atentou em trazer Jonathan Edwards, mas apenas para servir de assistente e aparentemente a um período de experiência estipulado. Ele certamente sentiu o peso da responsabilidade. Edwards admirava seu avô. Certa vez ele disse: "Meu avô foi um grande homem, de forte poder mental, de grande graça e autoridade, de um magistral aspecto, linguagem e comportamento". Neste período inicial do ministério de Edwards em Northampton o que sobressai é o seu casamento com Sarah Pierrepont. Eles se casaram no dia 28 de julho de 1727 em New Haven. Como observa Samuel Miller: "Talvez nenhum acontecimento da vida de Edwards tivesse maior conexão com seu conforto posterior do que seu casamento". A primeira vez que Edwards viu sua futura esposa provavelmente tenha sido em uma reunião da primeira Igreja de New Haven. Pierrepont era um nome distinto. James Pierrepont, pai de Sarah, tinha sido ministro da congregação de New Haven de 1685 até sua morte em 1714, era um dos líderes de Connecticut e sua atuação inclui ainda uma proeminente parte na fundação do Yale College.
Sarah tinha 4 anos quando seu pai morreu e com 8 anos ela conheceu a vida e o poder da religião, sendo um raro exemplo de jovem piedosa. Sobre ela Edwards registraria: "Ela possuía uma estranha doçura em sua mente, e singular pureza em suas afeições; é por demais reta e consciente em toda sua conduta; e você não pode persuadi-la a fazer algo errado ou pecaminoso... Ela é de maravilhosa doçura, e de uma mental benevolência universal. Ela vai de um lugar para o outro cantando suavemente. E parece ser sempre cheia de gozo e prazer e ninguém sabe por quê. Ela ama estar sozinha caminhando nos campos e bosques, e parece haver sempre alguém invisível conversando com ela".
      A mãe de Sarah, Mary Pierrepont, era neta do famoso ministro Thomas Hooker e o lar em que Sarah havia nascido, no em 9 de Janeiro de 1710, era rico em privilégios espirituais.
      Havia júbilo em Northampton no verão de 1727 quando Edwards retornou com sua recente esposa de 17 anos de idade. A congregação já havia estabelecido seu salário, o que possibilitou a eles conduzirem-se ao lar que seria o local dos mais felizes anos de suas vidas. Este salário fez com que Edwards refletisse sobre a importância do ministério cristão, não por causa da quantia ou do rendimento em si, mas pela responsabilidade que ele tinha diante das pessoas e principalmente diante de Deus.
      Em agosto de 1728 nasceria Sarah, a primeira filha do casal. Acerca disso ele registrou: "Minha filha Sarah nasceu no dia do Senhor, entre as 2 e 3 horas da tarde". Em fevereiro do ano seguinte, em 1729, o velho e venerado pastor de Northampton, Solomon Stoddard morreu e foi lamentado em toda Nova Inglaterra. O sermão fúnebre foi pregado em Northampton pelo reverendo William Willians, genro do falecido.
      Meses antes da morte de seu avô, todas as pregações e responsabilidades pastorais já haviam caído sobre Edwards. Ele tinha que preparar 3 sermões por semana para pessoas bem instruídas e que se acostumaram com um ótimo e renomado ministro e conhecedor de sua congregação. Para suas tarefas Jonathan precisava de cada hora que podia achar. E naturalmente experimentou mais dificuldades nas preparações dos sermões nos primeiros anos do que posteriormente.
      Timothy Edwards, seu pai, escreveu para uma de suas irmãs em 12 de setembro do mesmo ano, dizendo que "o povo de Northampton parece ter um grande amor e respeito por ele..." E pelos próximos 21 anos ele seria o único pastor daquela igreja.
      Em 1730 Jonathan Edwards iniciou um sermão com as seguintes palavras: "Esta é a maneira de Deus: Antes que Ele confira algum sinal de misericórdia sobre o povo, primeiro Ele prepara-o para isso..." Estas palavras servem de ilustração do que aconteceria com ele durante os próximos anos. E de fato ele estava sendo preparado para algo maior. Suas convicções e afeições estavam sendo preparadas para o que viria. Edwards experimentou fortes convicções. Ele registra: "Desde que vim para esta cidade, tenho tido um doce conforto em Deus, na visão de suas gloriosas perfeições e a excelência de Jesus Cristo. Deus tem me mostrado seu glorioso e amável ser, direcionando-me a consideração de sua santidade. A santidade de Deus sempre tem me mostrado a amabilidade de todos os Seus atributos... e tenho amado as doutrinas do evangelho; elas têm sido para minha alma o gozar de pastos verdejantes. O evangelho tem parecido a mim o mais rico tesouro; o tesouro que eu mais tenho desejado, o maior que pode habitar ricamente em mim. O caminho da salvação por Cristo tem se revelado, em geral, glorioso e excelente, o mais prazeroso e o mais bem-aventurado. Tem parecido a mim que arruinaria o céu, em grande medida, recebê-lo através de outro caminho".
      Foi uma época marcada pela intensa convicção de pecado, semelhante ao personagem criado pela alegoria de John Bunyan, posto ser o peregrino alguém que saíra da cidade da destruição rumo à cidade celestial, passando pelo vale da humilhação.

      E sob sua poderosa pregação durante o período da década de 1730 o Espírito de Deus foi gerando na congregação uma crescente sensibilidade para com o pecado e um desejo de ouvir o conselho das Escrituras. Edwards escreve sobre a congregação daquela época, mais precisamente um pouco antes dessa crescente sensibilidade, em 1729: "A maior parte parecia estar insensível, naquela época, para com a religião, e preocupada em outros cuidados e projetos. Logo depois da morte de meu avô, a época parecia ser de extrema indiferença para com a religião. A licenciosidade, por alguns anos, prevaleceu entre a juventude da cidade; vários deles gostavam muito de andar à noite, freqüentar a taverna, e praticavam coisas impuras, nas quais alguns, por seu exemplo, corrompiam excessivamente aos outros. Era costume, com muita freqüência, se ajuntarem, para reuniões de ambos os sexos para brincadeiras e gargalhadas, que eles chamavam de diversão; e eles muitas vezes gastavam a maior parte das noites nessas brincadeiras, sem se preocupar com alguma ordem nas famílias às quais pertenciam: e, de fato, o governo familiar falhou muito na cidade. Tornou-se muito comum, para muitos dos nossos jovens, serem indecentes nas suas carruagens ao ir para a reunião, o que teria prevalecido se meu avô, mesmo na sua idade, (ainda que ele tenha retido os seus poderes até o fim) não tivesse sido capaz de observá-los. Tem prevalecido um espírito de contenda entre dois partidos, nos quais por muitos anos eles têm estado divididos; tendo ciúme um do outro, e preparados para se oporem mutuamente em todos os negócios públicos. Muitos dos adultos da congregação foram levados pela busca da riqueza e propriedades, e não pela busca de Deus e de Seu Reino. Exteriormente eles pareciam respeitáveis e ortodoxos, mas interiormente lhes faltava a religião do coração."Este assunto, a religião do coração, se tornaria o tema principal nos escritos de Edwards, algo que ele já viera observando como necessidade de muitos de sua congregação. Como bem colocou Richard Lovalace: "Se eles tivessem tido drogas, eles as teriam usado," pois tal era o estado espiritual daquela igreja.
      Seus sermões sobre a justificação pela fé marcaram o começo do grande despertamento. Isso fez com que de fato seus ouvintes percebessem as verdades das Santas Escrituras e sentissem que toda boca ficará fechada no dia do juízo, pois como Jonathan mesmo pregou, não há coisa alguma que, por um momento, evite que o pecador caia no inferno, senão o bel-prazer de Deus.
      Exatamente 8 anos após sua chegada na cidade, Edwards experimentou seu primeiro período de incomum poder espiritual. "Foi no final de dezembro de 1734", disse ele em sua Fiel Narrativa da Surpreendente Obra de Deus "que o Espírito de Deus veio extraordinariamente e maravilhosamente trabalhar entre nós".
      Ele disse que: "Um grande e sério interesse acerca das coisas da religião, e da Palavra eterna, tornou-se universal em todas as partes da cidade e entre pessoas de todos os graus e idades. Todos falavam mais a respeito das coisas espirituais e eternas... toda a conversação em todas as companhias e em todas as ocasiões, eram sobre essas coisas somente, exceto a condução normal dos negócios seculares das pessoas, visto ser necessário...”.
      Grandes mudanças eram vistas nos encontros da igreja, e sobre isso ele escreve: "Nossas assembléias públicas eram então lindas: a congregação era ativa nos serviços a Deus, cada um era zelosamente atento à adoração pública, cada ouvinte ávido para "beber" das palavras dos ministros, da forma que vinham de sua boca; a assembléia em geral estava, de tempo em tempo, em silêncio enquanto a Palavra era pregada; alguns chorando com tristeza e angústia, outros com alegria e amor e outros com piedade e interesse pelas almas de seus vizinhos.”.
      "Nossos louvores públicos eram então grandemente animados, Deus era servido em nossos cânticos de Salmos e em grande medida na beleza de Sua santidade... pessoas, após sua conversão, falavam das coisas da religião como algo novo para elas: que a pregação era algo novo; parecia que nunca tinham visto antes; que a Bíblia era um novo livro; descobriam novos capítulos, novos Salmos, novas histórias, porque eles viam-se sob uma nova luz... lendo o Novo Testamento e interessando-se pelo sacrifício de Cristo pelos pecadores, uma velhinha de 70 anos parecia admirada com o que lia, o quanto era real e muito maravilhoso, mas completamente novo para ela...”. Na avaliação de Edwards, essas pessoas tinham este comportamento, apesar de estarem sob o poderoso ministério de seu avô, ou seja, não eram novas na igreja, contudo todas as coisas pareciam novas e empolgantes. Mas o período de avivamento chegaria ao ápice em 1740, com a vinda de George Whitefield, o famoso pregador que veio da Inglaterra. Ele chegaria à Filadélfia em 1739. Então a pregação de Edwards e o trabalho itinerante de Whitefield foram instrumentos de Deus para dar prosseguimento ao avivamento. E este período de 1740 ficou conhecido na história como o "Grande Despertamento" ou "Grande Avivamento".
      Os dois foram grandes amigos. E durante o seu trabalho itinerante em 1739, em New York, Whitefield escreveu para Edwards e iniciou assim sua carta: "Nobre senhor, a notícia de seu sincero amor para com nosso amado Senhor Jesus, encorajou-me a escrever esta carta. Alegro-me pelas grandes coisas que Deus tem feito por muitas almas em Northampton. Espero, querendo Deus, ir e ver-lhes em poucos meses”. O período ministerial de Jonathan que se seguiu ao assim chamado Grande Despertamento foi marcado pela divisão de pensamentos a respeito do reavivamento. Foi quando ele deu particular atenção à defesa do reavivamento. Certamente ele admitiu que havia imprudências e irregularidades, mas disse que imprudências e irregularidades não provarão o fato de um trabalho ser ou não do Espírito de Deus. Isso fez com que ele produzisse uma obra singular acerca do assunto, denominada de Religious Affections (Tratado sobre as Afeições religiosas, publicado no Brasil pela Editora PES sob o título A Genuína Experiência Espiritual).
      E o período final do ministério de Edwards em Northampton culminou com sua saída em 1750, depois de 23 anos de ministério ali. Ele foi despedido de sua Igreja e, segundo o Dr. Alderi, a principal razão foi "sua insistência de que somente pessoas convertidas participassem da Ceia do Senhor, em contraste com a prática anterior do seu avô.”.
      Nas palavras de J. I. Packer: "Foi desligado do pastorado por insistir em restaurar a exigência, de ser feita uma confissão de fé pessoal como condição indispensável para que alguém se tornasse membro em comunhão com a Igreja".
      Segundo o Dr. Martyn Lloyd-Jones: "Ele não batizava os filhos de certas pessoas e insistia num certo padrão de conduta e comportamento nos que deveriam ser admitidos à Ceia do Senhor". Jonathan Edwards foi literalmente despejado de sua Igreja por uma votação de 230 votos contra 23. E O autor de um artigo diz que: "Edwards teve que deixar a Igreja por não abrir mão do princípio de que somente membros professos poderiam ser admitidos à Ceia do Senhor. Era costume daquela Igreja conceder o privilégio de participar da Ceia a qualquer pessoa que desejasse, mesmo que não fosse membro daquela Igreja".
      Estas são suas últimas palavras de seu sermão de despedida: "Ao buscardes o futuro progresso dessa sociedade, é de maior importância que eviteis a contenda. Um povo contencioso é um povo miserável. As contendas que têm surgido entre nós desde que tenho sido vosso pastor tem sido o fardo mais pesado que tenho carregado no decurso do meu ministério – não somente as contendas que tendes tido comigo, mas aquelas que tendes tido uns com os outros por questão de terras e outros interesses. Eu já sabia muito bem que a contenda, o espírito inflamado, a maledicência e coisas semelhantes, eram frontalmente contrárias ao espírito do cristianismo e têm concorrido, de modo todo peculiar, para afastar o Espírito de Deus de um povo, a tornar sem efeito todos os seus meios de graça, além de destruir o conforto e o bem-estar temporal de cada um. Permita-me que vos exorte com todo o vigor, que, daqui para frente, todas as vezes que vos empenhardes na busca do vosso bem futuro, que vigieis atentamente contra um espírito contencioso: "se quiserdes ver dias bons, buscai a paz e segui-a". 2 Pe 3:10-11. "Permita Deus que a última contenda acerca da Comunhão Cristã, que tem sido a maior de todas, seja também a última de todas. Neste momento, quando estou pregando o meu sermão de despedida; possa dizer-vos o que o Apóstolo Paulo disse aos corínthios: "Finalmente irmãos, adeus, sede perfeitos, sede de um mesmo parecer, vivei em paz e o Deus de Paz seja convosco". 2 Co 13:11". No ano que se seguiu foi para um posto missionário perto de Stockbridge, uma região remota da colônia de Massachussets onde trabalhou como pastor dos colonos e missionário aos índios. O Dr. Martyn Lloyd-Jones comenta que: "Do mesmo modo como o aprisionamento de John Bunyan por 12 anos em Bedford deu-nos os seus clássicos, assim creio eu, esse isolamento de Jonathan Edwards foi o meio pelo qual nos deu algum de seus clássicos".
      De lá foi eleito e chamado para ser o novo presidente do College of New Jersey, agora conhecido como Princeton University. Em fevereiro de 1758 viajou para lá a fim de ocupar o seu novo cargo. Mas lá chegando tomou a vacina contra varíola, por ter se oferecido como voluntário para o teste da mesma. A própria inoculação transmitiu-lhe uma febre e ele morreu na tarde do dia 22 de março de 1758, entre as 2 e 3 horas, com 54 anos de idade. Em um jornal da Filadélfia de 28 de março ficou assim registrado: "Nesta quarta-feira do dia 22, partiu desta vida, na Nova Inglaterra o Sr. Jonathan Edwards (antes de Northampton, Nova Inglaterra, mas ultimamente em Stockbridge), presidente do College of New Jersey; pessoa de grande eminência; tanto com respeito à capacidade, cultura, piedade, e utilidade; um ótimo estudioso, e grande teólogo"...

O TEÓLOGO PURITANO E PREGADOR CONGREGACIONAL
      Como pregador Congregacional, Jonathan Edwards foi um autêntico teólogo puritano. E segundo J. I. Packer: "Não é exagero afirmar que o puritanismo é o que Edwards foi. Homens como Hooker, Shepard, Cotton e Davenpont, pais fundadores da Nova Inglaterra (Estados Unidos) e teólogos puritanos foram relembrados em Edwards, pois todas as suas raízes estavam arraigadas na teologia puritana e na postura desses homens".
      Em sua devoção à Bíblia Edwards se mostrava um autêntico puritano, porque lutou sua vida toda para entendê-la e aplicá-la. Sua perspicácia exegética é comparável a de Calvino, Owen, Hodge ou Warfield. Com a Bíblia alimentava-se, com a Bíblia nutria seu rebanho.
      Quanto às suas convicções doutrinárias também foi um autêntico puritano. Frente ao racionalismo que estava corroendo a herança puritana em sua época, firmou-se como um sobrenaturalista calvinista. E sendo o arminianismo uma posição em moda em sua época, da mesma forma que os puritanos tinham se oposto ao arminianismo de seus dias, por causa das implicações religiosas, Edwards se opôs fortemente a esse ensino. Ele argumentava que o arminianismo, em qualquer forma (que afirme que a convicção sobre a verdade espiritual é obra de Deus, mas que a conversão é obra do próprio indivíduo) golpeia profundamente a verdadeira piedade. Isso reduz Deus a menos que Deus, está finalizando o caminho para o deísmo e é meio caminho andado para o ateísmo. Destrói a devida reverência a Deus, porque nega a nossa total dependência Dele. Promove o orgulho humano, apresentando o ato decisivo de nossa salvação como se fosse feito tudo por nós mesmos. Por conseguinte introduz um princípio de auto-dependência no cristianismo. Isso faz com que a religião cristã se torne irreligiosa, alicerçando uma mera forma de piedade sobre a negação de sua eficácia. Todos esses eram pontos puritanos.
      Edwards também foi um autêntico puritano em sua posição sobre a natureza da piedade cristã. A piedade cristã para ele era uma questão de dar glória ao Criador, através de uma singela dependência e grata e humilde obediência a Ele. Significa reconhecer nossa total e completa dependência de Deus, na vida e saúde, na graça e na glória, enfim em tudo. É amá-lO, louvá-lO e servi-lO por tudo o que nos tem dado gratuitamente em nosso Senhor Jesus Cristo.
      Em um sermão sobre 1 Co 1:19-21 com o título de: "Deus é glorificado na dependência do homem" ele diz: "Sejamos exortados a engrandecer somente a Deus, atribuindo-lhe toda a glória da redenção. Esforcemo-nos para obter uma sensibilidade de nossa grande dependência de Deus... a mortificar qualquer tendência para a auto-dependência e a justiça própria. O homem naturalmente, é muitíssimo inclinado a exaltar a si mesmo e a depender de seu próprio poder ou bondade... Mas essa doutrina deveria ensinar-nos a engrandecer somente a Deus, mediante a confiança, a dependência e o louvor. "Aquele que gloria-se, glorie-se no Senhor". Tem algum homem a esperança de que é convertido e santificado... que seus pecados lhe foram perdoados, e que foi recebido no favor divino e exaltado à honra e a bem-aventurança de ser filho de Deus, e um herdeiro da vida eterna? Então que dê a Deus toda a glória, pois só Deus pôde fazê-lo diferir do pior dos homens neste mundo ou dos mais miseráveis condenados ao inferno... Algum homem destaca-se na santidade, e é abundante em boas obras? Então que nada tome de glória para si mesmo, mas atribua tudo Àquele de que somos "feitura... criados em Cristo Jesus para as boas obras".
Linha da vida de Jonathan Edwards      A dependência do homem a um Deus Todo-Poderoso e Soberanamente Livre era o princípio orientador de sua teologia. Por outro lado ele não tolerava nenhuma espécie de crença fácil, ou moralismo, ou qualquer formalismo apenas. Para ele a piedade é um dom sobrenatural, de caráter dinâmico e experimental em suas manifestações. Trata-se de uma comunhão concreta com Deus, por meio de Seu Filho Jesus Cristo, realizada pelo Espírito Santo e expressa através de atividades e emoções. Segundo Edwards a raiz da piedade é uma forte convicção sobre a realidade gloriosa das coisas divinas e celestes do evangelho. E isso é mais do que a concepção intelectual das noções teológicas ou a aceitação das verdades cristãs, sob a pressão da constrangedora comunidade. Mas vêm de uma direta iluminação divina, que acompanha a Palavra de Deus, tanto falada como escrita. Edwards explicou isso em 1734, em seu sermão sobre Mt 16:17 com o título de "Uma Luz Divina e Sobrenatural Conferida à Alma": "Essa luz é tal que influencia eficazmente a tendência e modifica a natureza da alma. Assemelha nossa natureza à natureza divina... Esse conhecimento nos desliga do mundo e eleva nossa inclinação quanto às coisas celestes. Faz o coração voltar-se para Deus, como a fonte do bem, a fim de que O escolhamos como nossa única porção. Essa luz, e somente ela, leva a alma a aproximar-se de Cristo e ser salva; molda o coração segundo o Evangelho, modifica sua inimizade e oposição ao plano de salvação ali revelado; leva o coração a aceitar boas-novas, aderindo à revelação de Cristo como nosso Salvador, fazendo a alma toda concordar e entrar em sintonia quanto a isso... apegando-se com toda disposição e afinidade, e dispõe eficazmente a alma para que se dedique totalmente a Cristo... Quando atinge o fundo do coração e muda a natureza, assim também inclina eficazmente à obediência total. Mostra que Deus é digno de ser obedecido e servido. Atrai o coração a um amor sincero a Deus... e convence da realidade daquelas gloriosas recompensas que Deus tem prometido aos que lhe obedecem".
      Dessa renovação do coração, pela luz vivificadora de Deus, derivam as boas obras e as santas emoções: "Como as emoções não só necessariamente pertencem à natureza humana, mas também são uma importantíssima parte dela, assim (visto que a regeneração renova todo o homem) as santas emoções não só pertencem à verdadeira religião, mas são também uma importantíssima parte da religião. Visto que a verdadeira religião é prática e que Deus constituiu a natureza humana de tal modo que as emoções servem de molas impulsionadoras dos atos dos homens, isso também nos mostra que a verdadeira religião deve constituir, em grande parte, de emoções".
      É exatamente aí que Edwards tanto se destaca. Ele começa a caracterizar as emoções verdadeiramente graciosas e santas, fazendo isso com um discernimento e perspicácia pastoral e teológica que garantiu, para seus escritos, um lugar indisputável entre os clássicos de todos os tempos. De fato Edwards esclareceu, aprofundou e levou a frente o conceito puritano da religião experimental. Insistia que o cristianismo vivo e verdadeiro é uma religião tanto na mente como no coração, e se esmerou em mostrar como o coração deve envolver-se. Esse fora um interesse dos puritanos.
      Como pregador de um púlpito congregacional foi realmente um autêntico puritano em sua abordagem da pregação. Com base em suas raízes, pregava com um alvo triplo: levar os homens a entenderem, sentirem e responderem à verdade do evangelho. Como os puritanos, seus sermões consistiam no método proposição, prova e aplicação. Em outras palavras, abertura, doutrina e aplicação. Edwards ocultava erudição, demonstrando simplicidade de estilo, preferindo uma clareza simples.
      Costumava ler no púlpito seus sermões escritos, com voz constante e calma, evitando olhar para seus ouvintes enquanto falava e não buscou pregar da maneira que os puritanos se interessavam, de forma direta, autoritária e poderosa. Segundo ele o principal benefício obtido da pregação vem das impressões feitas sobre a mente no momento. Não dos efeitos que surgem mais tarde, mediante o lembrar daquilo que fora pregado.
      Mas Edwards pregava com elevado grau de poder. Na verdade ele possuía um dom único de fazer as idéias adquirirem vida, através da precisão da exposição. Através de uma série de raciocínios, ele ia desdobrando uma exatidão lenta e suave, semi-hipnótica, capturando a atenção dos ouvintes sobre sucessivos desdobramentos da verdade.
      Sua profunda reverência, por causa do seu temor a Deus, somava-se a esse poder compelidor do púlpito. O resultado era que as audiências ficavam sem resistir, nem esquecer. Enquanto penetrava as consciências com as antigas e claras verdades sobre o pecado e a salvação, Edwards fazia 2 horas parecerem 20 minutos. Hopkins, o seu primeiro biografo registrou: "As palavras dele por muitas vezes exibiam grande fervor interior, sem muito barulho e sem emoção externalizada, caindo com grande peso sobre as mentes de seus ouvintes; ele falava de modo a revelar as fortes emoções de seu próprio coração, as quais tendiam, de maneira natural e eficaz, a comover e a afetar outras pessoas".
      Mas por outro lado ele não se opunha ao fervor de pregadores como George Whitefield. Pelo contrário, em uma ocasião durante o avivamento de 1740, quando Whitefield e outros foram atacados pelos latifundiários que diziam que esse fervor era um lamentável lapso que tendia ao entusiasmo, uma fantasia fanática, Edwards defendeu-os. Segundo ele um modo extremamente emotivo de pregar sobre temas cristãos não tende a gerar falsas apreensões, mas uma maior compreensão deles, mais do que uma maneira moderada, monótona e indiferente de falar. Para ele a mente do povo precisa ser abastecida com informações, mas eles precisam ter os corações aquecidos também. De fato suas raízes congregacionais lhe dotaram com uma teologia autenticamente puritana e lhe encaminharam a uma pregação dotada de poder e exatidão.

USANDO OS MEIOS DA GRAÇA
      Aos 20 anos de idade Jonathan Edwards escreveu: "Dediquei-me solenemente a Deus e o fiz por escrito, entregando a mim mesmo e tudo o que me pertencia ao Senhor, para não ser mais meu em qualquer sentido, para não me comportar como alguém que tivesse direitos de forma alguma... travando assim, uma batalha contra o mundo, a carne e Satanás até o fim da vida".
      Jonathan foi criado em um lar muito piedoso. Foi influenciado grandemente pela vida e ministério de seu pai e pela piedade de sua mãe. Seu pai, Timothy e sua piedosa mãe, Esther oravam constantemente pelo único filho homem para que fosse cheio do Espírito Santo. Quando completou a idade de 7 anos presenciou um despertamento na Igreja de seu pai e assim, acostumou-se a orar sozinho, cinco vezes, todos os dias, e também chamava seus amiguinhos para orar com ele.
      Mas apesar de ter sido criado em um lar muito piedoso, ele só veio a encontrar a paz e a certeza da fé salvadora entre abril e maio de 1721, aos 17 anos, durante o tempo em que permaneceu no Yale College para concluir o grau de mestrado. No entanto, durante o tempo em que estudou lá nunca deixou de estudar a Bíblia diariamente. Por toda sua vida ele alimentou-se com a Palavra de Deus. Segundo J. W. Chapman ele era, de fato, um santuário do Espírito Santo.
      Aos 24 anos, quando se casou com a filha de um pastor, Sarah Pierrepont, encontrou nela uma mulher de rara espiritualidade e, como seu marido, entregue totalmente aos serviços do seu Deus. Eles gostavam de andar a cavalo ao cair da tarde, para poderem conversar e, antes de se recolherem, sempre tinham, juntos, os seus momentos devocionais.
      Jonathan Edwards passava 13 horas por dia estudando e orando, mas, sempre metódico, todos os dias encontrava momentos para estar com a família. Ele entendia a real natureza da piedade e acreditava que Deus é engrandecido na pequenez e dependência do ser humano.
      Como disse o Dr. Martyn Lloyd-Jones certa vez: "Edwards possuía uma excepcional espiritualidade. Ele sabia mais da religião experimental do que a maioria dos homens; e dava grande ênfase no coração". Como costume que vinha desde a sua meninice Edwards gozava os privilégios das orações. Continuou também a freqüentar os lugares solitários das florestas onde podia ter comunhão com Deus.
      E em seu leito de morte, partindo de suas experiências pessoais e dos seus grandes benefícios, recomendou a alguns candidatos ao ministério que se achavam ao lado de sua cama: "Breve chegará a hora em que nós também teremos que deixar os nossos tabernáculos terrestres, e ir ao nosso Senhor, que nos enviou para trabalhar em Sua seara, para lhe prestar contas de nós mesmos. Ah, como isso diz respeito a nós, de modo que corramos, não incertamente; lutemos, não como quem esmurra o ar! E o que ouvimos não nos animaria a pôr a nossa confiança em Deus, dEle buscando ajuda e assistência em nossa grande obra, e a dedicar-nos muito a buscar os influxos do seu Espírito e êxito em nossos labores pelo jejum e oração"? Esta foi a marca da piedade deixada pelo teólogo do coração de do intelecto.

SUAS RESOLUÇÕES
Suas ResoluçõesComo era comum aos jovens daquela época, Jonathan Edwards escreveu uma lista de resoluções, se comprometendo a viver uma vida teocêntrica em harmonia com os outros. Esta lista foi escrita em 1722 e ao longo dos anos, novas resoluções foram acrescentadas. A lista tem um total de 70 resoluções. Transcrevo aqui trechos resumidos, para mostrar a seriedade e firmeza com que ele encarava a vida:
      "Estando ciente de que eu sou incapaz de fazer qualquer coisa sem a ajuda de Deus, humildemente rogo que Ele, através de Sua graça, me capacite a fielmente cumprir estas resoluções enquanto elas estiverem dentro de Sua vontade em nome de Jesus Cristo."
      "Resolvi que farei tudo aquilo que seja para a maior glória de Deus e para o meu próprio bem, proveito e agrado, durante toda a minha vida".
      "Resolvi que farei tudo que sentir ser o meu dever e que traga benefícios para a humanidade em geral, não importando quantas ou quão grandes sejam as dificuldades que venha a enfrentar".
      "Resolvi jamais desperdiçar um só momento de meu tempo, pelo contrário, sempre buscarei formas como torná-lo mais proveitoso possível".
      "Resolvi jamais fazer alguma coisa que eu não faria se soubesse que estava vivendo a última hora da minha vida".
      "Resolvi jamais cansar de buscar pessoas que precisem do meu apoio e da minha caridade".
      "Resolvi jamais fazer alguma coisa por vingança".
      "Resolvi manter vigilância constante sobre a alimentação e bebida, para ser sempre comedido".
      "Resolvi jamais fazer alguma coisa que se eu visse outra pessoa fazendo, achasse justo motivo para repreendê-la ou menosprezá-la".
      "Resolvi estudar as Escrituras tão firme, constante e freqüentemente, até ao ponto em que possa claramente perceber que estou continuamente crescendo no conhecimento da Palavra".
      "Resolvi esforçar-me ao máximo para que cada semana possa me elevar na religião, e no exercício da graça além do nível que estava na semana anterior".
      "Resolvi que irei me perguntar ao final de cada dia, semana, mês, ano, como e onde eu poderia ter feito melhor".
      "Resolvi freqüentemente renovar a dedicação da minha vida a Deus que foi feita no batismo, e que foi solenemente renovada quando fui aceito na comunhão da Igreja; e que eu solenemente refaço neste dia 12 de janeiro de 1722".
      "Resolvi, a partir deste momento e até a minha morte, jamais agir como se a minha vida me pertencesse, mas como sendo total e inteiramente de Deus".

      "Resolvi que agirei da forma que achar que eu mesmo julgarei ter sido a melhor, e a mais prudente, quando estiver na vida futura”.
      "Resolvi jamais desistir, ou de qualquer maneira relaxar na minha luta contra minhas próprias fraquezas e corrupções, mesmo quando eu não veja sucesso nas minhas tentativas".
      "Resolvi sempre refletir e depois das adversidades e das aflições, no que fui aperfeiçoado ou melhorado através das dificuldades que benefícios me vieram através delas, e o que poderia ter acontecido comigo caso tivesse agido de outra maneira".
      Edwards combinava o exercício mental e intelectual de um gigante com a piedade quase infantil, pois ele percebia Deus, tanto como infinitamente complexo, quanto como maravilhosamente simples. Essas resoluções, Edwards levou por toda a sua vida.

AS HERANÇAS DE JONATHAN EDWARDS
É notável que a vida de Jonathan Edwards é uma prova de que Deus não quer que desprezemos as faculdades intelectuais que Ele nos deu, mas que a desenvolvamos, sob a direção do Espírito e Deus, e que as entreguemos desinteressadamente ao seu uso.
Nas palavras do falecido Dr. Martyn Lloyd-Jones: "De fato eu tentei, talvez tolamente, comparar os puritanos com os Alpes, Lutero e Calvino com o Himalaia, e Jonathan Edwards com o Monte Everest! Ele sempre me pareceu ser o homem mais semelhante ao apóstolo Paulo. Naturalmente, Whitefield foi um grande e poderoso pregador, como foi Daniel Rowland, mas Edwards o foi também. Nenhum deles teve o intelecto, nenhum deles teve a compreensão da teologia que Edwards teve, foi o filósofo que ele foi. Ele sobressai, parece-me, inteiramente pelo que ele é, entre os homens".
      Jonathan Edwards está entre os heróis da fé, digno de ser imitado. Digno de ser imitado em sua devoção à Bíblia, pois lutou para entendê-la, lutou para aplicá-la. Também em sua busca assídua por Deus em oração, visto que ele passava grande parte de seu dia em oração. Não apenas como um costume, mas gozando dos privilégios desta prática. Sua reverência e temor de Deus foram um exemplo também. E apesar do profundo e vasto conhecimento, ele sempre manteve a humildade. Tudo isso porque ele possuía um senso das verdades celestiais, era um conhecimento afetivo, algo que, sem dúvida nenhuma, precisamos hoje como cristãos.
      Deixemos que o próprio Edwards o descreva: "Aquele que é espiritualmente iluminado... não crê de maneira meramente racional que Deus é glorioso, mas tem um senso da natureza gloriosa de Deus em seu coração. Não há somente uma percepção racional de que Deus é santo, e de que a santidade é uma coisa boa, mas há uma percepção do caráter atraente da santidade de Deus. Não há apenas uma conclusão especulativa de que Deus é gracioso, porém o senso de quão amável Deus é, ou o senso da beleza deste atributo divino".
      Jonathan Edwards foi inteiramente contrário à separação entre coração e cabeça, que tantas vezes tem afetado os evangélicos. Ele unia o mais rico sentimento religioso aos mais elevados poderes intelectuais. Isso é realmente digno de aceitação.
      Ele possuía uma apreciação singular por uma espiritualidade fervorosa e intensa. É denominado muitas vezes de teólogo do avivamento, da experiência e do coração. Não que o critério da verdade seja a experiência, mas que o cristianismo tem de ser experimental e prático, sendo a Escritura sempre o juiz de tudo.

SUAS OBRAS ESCRITAS
      A vastidão dos escritos de Edwards é imensa. Antes de completar seus 20 anos, começou a escrever o tratado filosófico Sobre o Ser. Entre 1722-23 redigiu as suas Resoluções e ainda começou seu Diário e as Miscelâneas. No seu Diário faz um acurado auto-exame com base nas Resoluções. Já as Miscelâneas são uma espécie de diário intelectual que, ao longo de 35 anos, mostram o desenvolvimento de seu pensamento. Em 1739 ele também escreveu sua Narrativa Pessoal, que mostra sua infância, relacionamento com seu pai e as lutas com o seu próprio pecado e com as doutrinas calvinistas da soberania de Deus e da predestinação. Mas as obras mais admiráveis de Edwards são aquelas que analisam o avivamento como um todo. Em 1736, seu primeiro escrito que trata da natureza da experiência religiosa, a Fiel Narrativa da Surpreendente Obra de Deus, analisando os eventos ocorridos durante o avivamento de Northampton, entre 1734-35. Alguns anos depois publicou Marcas Distintas de uma Obra do Espírito de Deus em 1741 e em 1742 Alguns Pensamentos Acerca do Presente Reavivamento da Religião na Nova Inglaterra, tratando do "Grande Despertamento". Em 1746 vem sua obra mais amadurecida sobre a experiência do avivamento, o fantástico Tratado Sobre as Afeições Religiosas. Neste livro ele argumenta que o verdadeiro cristianismo não é evidenciado pela quantidade ou intensidade das emoções religiosas, mas está presente sempre que um coração é transformado para amar a Deus e buscar o Seu prazer. Edwards também produziu obras teológicas, mas sempre possuindo uma dimensão prática. As controvérsias com sua congregação a respeito do direito de participar da Santa Ceia, levou-o, em 1739, a escrever Qualificações para a Comunhão, argumentando que somente pessoas convertidas devem participar do Sacramento.
      Depois de ser despedido de sua Igreja, ele passaria os últimos 8 anos de sua vida na remota Stockbridge, o que lhe proporcionou muitas obras. Foi neste período que ele escreveu seu tratado sobre A Liberdade da Vontade (1754), argumentando que o ser humano é livre, mas Deus permanece soberano e é o único responsável pela salvação humana. Outras obras escritas nesse período foram: O Fim Para o Qual Deus Criou o Mundo e A Natureza da Verdadeira Virtude, publicadas depois, em 1765; O Pecado Original (1758); e História da Redenção, que foi publicado em 1774 na Escócia e nos Estados Unidos em 1786. Outro grande volume de obras de Jonathan Edwards foram os seus sermões, por exemplo, "Deus é glorificado na Dependência do Homem" (1 Co 1:29- 31), pregado a um grupo de pastores de Boston em 1731 e que foi o seu primeiro publicado. Em 1733 ele proferiu um outro importante sermão "Uma Luz Divina e Sobrenatural" (Mt 16:17). E seus 15 sermões sobre "A Caridade e os Frutos" (1 Co 13), pregados à igreja de Northampton em 1738, mas publicado somente em 1851.
      A correspondência pessoal dele também formou um volumoso e valioso conjunto de escritos, abordando temas de sermões. O seu "Relato do Reavivamento de Northampton em 1740-42" faz parte de uma carta que escreveu a um destacado ministro de Boston.
      Edwards também escreveu uma biografia do famoso missionário David Brainerd (1718-1747) e publicou seu diário, um clássico devocional. Brainerd estava para casar com Jerusha, uma das filhas de Edwards, mas morreu na casa deste aos 29 anos de idade, vítima da tuberculose.
      Portanto a vastidão das obras de Edwards é mais um poderoso incentivo para uma leitura decidida e persistente de um horizonte tão vasto que ele possuía em contato com a Escritura e os avivamentos. Busquemos mais deste valiosíssimo tesouro alcançável.
Luis Valério da Silva

Fonte: http://www.reformaerazao.com/2010/01/jonathan-edwards-biografia.html

 

 


 

Lembrai-vos dos que sofrem: Histórias de compaixão e solidariedade

Por Dr. Alderi Souza de Matos


Por causa do exemplo e dos ensinos de Jesus, os cristãos desde o início colocaram no centro das suas preocupações a solidariedade para com os sofredores. É longa e eloqüente, na história do cristianismo, a galeria daqueles que devotaram as suas vidas para minorar as aflições dos seus semelhantes, motivados pelo amor. Dentre estes, alguns se destacaram de maneira especial pela abnegação e intensidade com que se entregaram a esses esforços. Apresentamos a seguir alguns poucos exemplos inspiradores dentre tantos que poderiam ser citados. O objetivo é tão somente mostrar o que algumas pessoas têm feito nesse aspecto tão importante quanto negligenciado da missão dos cristãos e da igreja no mundo.

 


  1. Francisco de Assis (1182-1226)  Resultado de imagem para fotos de são francisco de assis
    Seu nome de batismo era Giovanni di Bernardone, sendo o seu pai um abastado comerciante de tecidos na cidade de Assis. Teve uma juventude despreocupada e aventureira. Após amargas experiências de prisão e enfermidade, começou a reconsiderar os seus valores. Em 1205 fez uma peregrinação a Roma, após a qual teve uma visão na qual Deus lhe falou que reconstruísse uma igreja perto de Assis. Para esse fim, vendeu o seu cavalo e alguns bens do pai. Este o deserdou e Francisco renunciou às posses materiais. Em 1209 um sermão sobre Mateus 10.7-10 o convenceu a abraçar uma vida de pobreza apostólica. Começou a pregar o amor fraternal e o arrependimento. Sua regra monástica obteve a aprovação do papa Inocêncio III em 1209 e os seus seguidores se tornaram conhecidos como “frades menores”.


Devotando-se à pregação e ao cuidado dos pobres e enfermos, um número crescente de frades passou a reunir-se anualmente no Pentecoste em Assis. Em 1212 foi fundada por uma discípula a ordem feminina das Pobres Claras. Alguns anos depois também seria criada a Ordem Terceira, para leigos. Entre 1212 e 1219, Francisco fez várias tentativas de missão aos muçulmanos (Síria, Marrocos, Egito). Após abdicar da liderança da ordem em 1223, retirou-se para um mosteiro e passou o restante da vida em isolamento e oração. Nesse período compôs o “Cântico do Irmão Sol”, as Admoestações e o seu testamento. Sua generosidade, fé singela, dedicação a Deus e ao próximo, amor pela natureza e grande humildade o tornaram muito popular nos últimos séculos. Curiosamente, o aumento do interesse por esse personagem entre pessoas cultas deve muito aos estudos de P. Sabatier, um pastor calvinista de Estrasburgo.


2. William Booth (1829-1912) e Catherine Booth (1829-1890)

 

 

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Natural de Nottingham, Inglaterra, William foi inicialmente anglicano. Aos quinze anos converteu-se em uma igreja metodista, tornando-se poucos anos mais tarde um pregador avivalista. Foi para Londres, onde veio a casar-se com Catherine Mumford em 1855. Em 1861, o casal deixou a igreja metodista, dedicando-se à pregação itinerante. Fundaram a Missão Cristã (1865), voltada para o evangelismo e a filantropia. Em 1878, essa entidade teve o seu nome mudado para Exército de Salvação. Nos anos seguintes, começou a ministrar a egressos de prisões, prostitutas e alcoólatras. Em 1885, realizou a primeira cruzada contra a prostituição infantil.


A partir de 1880, quando o Exército de Salvação chegou aos Estados Unidos, Europa continental, Austrália e outras regiões, Booth passou a maior parte do tempo viajando, organizando o seu movimento e fazendo conferências. Em 1890, o ano da morte da esposa, publicou In Darkest England and the Way Out (Na Inglaterra mais escura e o caminho de saída), no qual sugeriu várias soluções para os males sociais da época. Inicialmente objeto de forte oposição, seu trabalho acabou por granjear a admiração do povo inglês, recebendo o apoio do próprio rei Eduardo VII e de autoridades estrangeiras. A principal característica desse notável casal foi o seu amor pelos pobres, cujas almas buscaram converter ao mesmo tempo em que supriam as suas necessidades materiais. Esses objetivos continuam inspirando o movimento até os dias atuais.


3. Toyohiko Kagawa (1888-1960)

 

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Esse reformador social nasceu em Kobe, Japão, sendo filho ilegítimo de um rico ministro de estado e uma gueixa. Os pais morreram antes de ele completar cinco anos. Sua infância foi marcada pela solidão e pelo sofrimento. Indo para a escola em Shikoku, a amizade de um professor cristão e de dois missionários lhe trouxe pela primeira vez amor e esperança. Converteu-se aos quinze anos e foi em seguida deserdado pela família. Sua profunda experiência do amor de Cristo o levou a dedicar a vida ao serviço dos pobres. Após quase morrer de tuberculose, ingressou no Seminário Presbiteriano de Kobe em 1905. Passou a residir nos cortiços da cidade, onde 10 mil pessoas viviam em cubículos de menos de quatro metros quadrados.


Após algum tempo de estudos nos Estados Unidos, a partir de 1919 labutou por quinze anos nas favelas, lutando pela melhoria das condições de vida e de trabalho dos marginalizados. Liderou o nascente movimento trabalhista japonês e criou o primeiro sindicato de camponeses. Tomado de grande paixão pela justiça social, pregou, escreveu e trabalhou incessantemente pela causa do socialismo cristão. Em 1925 foi autorizada a organização de sindicatos e no ano seguinte foram aprovadas leis visando a eliminação das favelas. Em 1930, Kagawa fundou a organização evangelística Movimento do Reino de Deus. Em 1940, foi aprisionado como pacifista, mas depois da guerra tornou-se o líder da democratização do país. Destacou-se como místico, ativista social, líder eclesiástico e apóstolo do amor no Japão. Entre outros livros, escreveu Antes do Alvorecer, Cristo e o Japão e Amor, a Lei da Vida.


4. Madre Teresa de Calcutá (1910-1997)

 

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Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu de pais albaneses em Skopje, Macedônia. Desde muito jovem mostrou-se desejosa de trabalhar na Índia. Em 1928 uniu-se às Irmãs de Loreto na Irlanda e foi enviada para Darjeeling a fim de iniciar o seu noviciado, adotando o nome de Teresa. No ano seguinte foi lecionar numa escola de sua ordem em Calcutá destinada para jovens de boa condição social. Sentindo-se atraída para os miseráveis, em 1948 deixou a sua ordem e foi viver nas favelas de Calcutá, ensinando crianças pobres e cuidando dos aflitos e desamparados. Outras irmãs se uniram a ela e em 1950 foi aprovada a sua nova ordem, as Missionárias da Caridade. Em 1952, fundou Nirmal Hriday, sua primeira casa para moribundos carentes.


Em 1963 ocorreu a fundação dos Irmãos Missionários da Caridade e em 1969 dos Cooperadores Internacionais de Madre Teresa. As atividades desses grupos, de âmbito mundial, voltam-se para a assistência a todos os tipos de pessoas carentes e doentes, bem como a vítimas do ódio e abandono. Em 1969, o filme Algo Belo para Deus, transmitido pela BBC, e um livro com o mesmo título, ambos de Malcolm Muggeridge, tornaram Madre Teresa conhecida internacionalmente. O seu amor abnegado, especialmente em favor dos moribundos, atraiu a atenção do mundo e ela recebeu muitas homenagens, entre as quais o Prêmio Nobel da Paz de 1979. Ela disse certa vez: “De sangue e origem, sou plenamente albanesa. Minha cidadania é indiana. Sou uma freira católica. Quanto ao meu chamado, pertenço ao mundo inteiro. Quanto ao meu coração, pertenço inteiramente a Jesus”.


Num mundo marcado pelo materialismo, hedonismo e individualismo, que esses nobres exemplos possam inspirar a muitos para lutarem contra a injustiça e o sofrimento, fazendo-o pelas razões certas, com motivações que glorifiquem a Deus.

 

 Fonte: http://cpaj.mackenzie.br/historiadaigreja

 


 

George Whitefield (1714-1770)

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Um pára-raios do Grande Despertamento

Adaptado de uma biografia por Dr. Rimas J. Orentas
Fonte: Revista Impacto
George Whitefield viveu de 1714 a 1770. Na sua vida adulta, era tão conhecido quanto qualquer outra figura pública nos países de língua inglesa. Com apenas 22 anos, era um dos mais destacados proponentes do movimento religioso que sacudiu aqueles países, que seria conhecido como o Grande Despertamento. Talvez se possa dizer que só a Reforma Protestante e a Era Apostólica tenham ultrapassado o fervor espiritual que Deus derramou neste período.

George Whitefield pregou na Inglaterra, na Escócia, no País de Gales, em Gibraltar, em Bermudas, e nas colônias norte-americanas. Sua vida serviu de inspiração e tocha para vários outros pregadores contemporâneos e posteriores. Eram homens de fervor que procuravam entregar suas vidas 100% a Cristo Jesus.

A seguir, alguns fatos a respeito da sua juventude, conversão e preparação para o ministério.

George era o sétimo e último filho de Thomas e Elizabeth Whitefield. O pai era proprietário da Bell Inn, um hotel em Gloucester, na Inglaterra. Era o maior e mais fino estabelecimento da cidade e tinha dois auditórios, um dos quais era usado para exibição de peças teatrais.

Quando tinha apenas dois anos de idade, o pai de George faleceu. Depois de alguns anos, sua mãe casou-se novamente, porém foi uma união malograda que terminou em divórcio e fracasso financeiro.

Desde pequeno, George se destacou como talentoso orador e ator nas peças teatrais da escola. Sua mãe, vendo seu potencial, fez questão que ele estudasse, embora outros de seus irmãos tivessem que trabalhar para sustentar a família. Da mãe, George herdou a forte ambição de ser "alguém no mundo". De alguma forma, ela sempre esperava mais dele do que de seus outros filhos. Outra influência forte na juventude era sua paixão pelo teatro. Como garoto, lia incessantemente peças teatrais e faltava da escola para ensaiar suas apresentações. Esta necessidade e dom de se expressar dramaticamente continuariam durante todo o resto da sua vida.

Aos quinze anos de idade, George foi obrigado a deixar seus estudos para trabalhar pelo sustento da família. Durante o dia trabalhava e à noite lia a Bíblia. Seu sonho era de estudar em Oxford. Porém, não havia condições financeiras para isto. Finalmente, sua mãe descobriu uma saída. Ele poderia ir como "servidor", que era uma espécie de empregado para três ou quatro estudantes de classe alta. Assim, aos 17 anos, com muita expectativa, ingressou na Universidade.

A Busca Intensa Por Deus

Suas responsabilidades como servidor incluíam lavar as roupas, engraxar os sapatos e fazer as tarefas dos estudantes a quem servia. Os servidores viviam com o dinheiro e as roupas usadas que aqueles quisessem lhes dar. Tinham de usar uma túnica especial e era proibido que os estudantes de nível mais elevado lhes dirigissem a palavra. A maioria acabava abandonando os estudos para não terem que sofrer tamanha humilhação. George era extremamente intenso e dedicado e, achando que tinha de ganhar a aprovação de Deus, visitava prisioneiros e pobres, além de todas suas outras obrigações. Seus colegas, por um tempo, tentaram atraí-lo à vida social e às festas, mas logo viram que não adiantaria e deixaram-no em paz Alguns começaram a chamá-lo de "metodista", que era o nome pejorativo que davam aos membros do Clube Santo, embora ele ainda não tivesse tido nenhum contato com aquele grupo. Como servidor, não lhe era permitido tomar a iniciativa de procurá-los.

O Clube Santo era um pequeno grupo de estudantes dirigido por um professor em Oxford, chamado John Wesley. Aos outros estudantes, a vida disciplinada exigida pelo Clube parecia tolice e o nome "metodista" dava a idéia de uma vida regida por métodos mecânicos, desprovidos de racionalidade, como se as pessoas fossem meros robôs.

Foi Charles Wesley que ouviu falar desse aluno dedicado e piedoso e, rompendo as barreiras sociais, procurou Whitefield e o convidou para um café da manhã. Com isso, iniciou-se uma amizade que duraria para o resto das suas vidas.

Os membros do Clube Santo levantavam-se cedo, tinham prolongados tempos de devoções a sós com Deus, praticavam autodisciplina e tentavam garantir que nenhum momento do dia fosse desperdiçado. À noite, guardavam um diário para fazer uma avaliação da sua vida e arrancar qualquer pecado que estivesse brotando ou se manifestando. Celebravam a Eucaristia aos domingos, jejuavam toda quarta e sexta-feira e usavam o sábado como dia de preparação para a festa do Senhor no domingo.

O Clube Santo também era profundamente comprometido com a Igreja Anglicana e conhecia sua história e suas normas melhor que ninguém. Visitavam prisões e bairros pobres, e contribuíam a um fundo de auxílio para os presidiários e especialmente para os seus filhos. Os membros também se esforçavam muito no pastoreamento de estudantes mais jovens, ensinando-os a evitar más companhias e encorajando-os a serem sóbrios e estudiosos, até mesmo auxiliando-os quando tinham dificuldades nos estudos. Tudo isto era ótimo, mas havia um problema fundamental: era uma salvação baseada em obras. Por mais que fizessem, experimentavam pouquíssima alegria, pois a natureza da sua salvação ainda era um mistério insondável e Deus estava distante. Nenhum dos líderes havia ainda experimentado a verdadeira graça de Deus no evangelho de Jesus Cristo.

O Desespero Fica Maior

Whitefield ficou mais e mais consciente do seu anseio interior por conhecer Deus de forma íntima e verdadeira, mas não sabia aonde recorrer. Ele lia com voracidade e finalmente achou um livro antigo, escrito por um escocês desconhecido, o Rev. Henry Scougal, intitulado A Vida de Deus na Alma do Homem. Neste livro, ele descobriu que todas suas boas ações, que pensava estarem conquistando-lhe o favor de Deus, não tinham valor algum. O que precisava realmente era Cristo ser formado "dentro" dele, ou seja, nascer de novo.

Scougal ensinou que a essência do cristianismo não é a execução de obrigações exteriores, nem uma emoção ou sentimento que se pode ter. A verdadeira religião é a união da alma com Deus, a participação na natureza divina, viver de acordo com a imagem de Deus desenhada sobre nossa alma – ou na terminologia do apóstolo, ter "Cristo formado em nós". Whitefield aprendeu destes ensinos a maravilha que é Deus querer habitar no nosso coração e realizar sua obra através de nós, e quão profunda e admirável é a graça que torna possível a vida de Deus habitar na alma do homem.

Este livro maravilhoso, porém, acabou deixando Whitefield quase enlouquecido. Ele não sabia como nascer de novo, mas começou a buscar esta experiência com todas suas forças. Deixou de comer certos alimentos e dava o dinheiro que economizou com isto aos pobres; usava só roupas remendadas e sapatos sujos; passava a noite inteira em fervorosa e suada oração; e não falava com ninguém. Para negar a si mesmo, abandonou a única coisa de que realmente gostava, que era o Clube Santo. Começou a ir mal nos estudos e foi ameaçado com expulsão. Seus colegas o acharam completamente "pirado". Orava ao ar livre, no relento, mesmo nas madrugadas mais gélidas, até que uma de suas mãos ficou preta. Finalmente, ficou tão doente, enfraquecido e magro que não conseguia nem subir a escada para sair do quarto. Tiveram de chamar um médico que o confinou à cama por sete semanas.

Uma Simples Oração

De forma surpreendente, foi neste tempo de descanso e recuperação que sua vida finalmente foi transformada. Ele ainda mantinha um tempo devocional com Deus, de acordo com suas forças. Mas agora começou a orar de forma mais simples, deixando de lado todas suas idéias e esforços e tentando realmente escutar a voz de Deus.

Certo dia, ele se jogou sobre a cama e clamou: "Tenho sede!" Foi a primeira vez que havia clamado a Deus em total incapacidade e insuficiência. E foi a primeira vez em mais de um ano que sentira alegria.

Neste momento de total entrega ao Deus Todo-poderoso, um pensamento novo penetrou seu coração. "George, você já tem o que pediu! Você cessou suas pelejas e simplesmente creu e agora nasceu de novo!"

Foi tão simples, tão absurdamente simples, ser salvo por uma oração tão singela, que Whitefield começou a rir. E assim que riu, as comportas dos céus se romperam e sua vida foi inundada por "gozo indizível, cheio e transbordando de grande glória".

Sua aparência exterior ainda era de um universitário doentio e fraco, porém a carreira do maior evangelista do século XVIII tinha acabado de nascer. Ele ainda levou nove meses para recuperar fisicamente, mas no seu coração havia só um desejo: compartilhar as Boas Novas que Jesus Cristo viera para os pecadores e que o pecador só precisava arrepender-se, aceitar a morte expiatória de Jesus e lançar-se espiritualmente nas mãos de Deus.

Em sua casa em Gloucester, Whitefield manteve sua vida disciplinada do Clube Santo, mas tudo agora tinha um novo significado. Não era mais para alcançar o favor de Deus ou tornar-se justo, mas para focalizá-lo em servir a Deus. Diariamente, meditava numa passagem bíblica que lia em inglês, depois em grego, e finalmente no famoso comentário de Matthew Henry. Orava sobre cada linha que lia, até que entendesse e recebesse o seu significado, e sentisse que já fazia parte da sua vida. Logo fundou uma pequena sociedade que se reunia todas as noites.

O Leão Começa a Rugir

Não demorou muito e já estava tendo oportunidades de pregar. Inicialmente, tinha receio de ser ordenado muito jovem e de se envaidecer. Mas colocou diante de Deus um sinal: se, por um milagre, houvesse provisão para voltar a Oxford e se formar, ele aceitaria a ordenação. E, pouco a pouco, foi isto que aconteceu. Ao mesmo tempo, soube que os irmãos Wesley tinham ido à América como missionários e que precisavam de alguém para dirigir o Clube Santo. Desta forma, voltou a Oxford, completou seu curso e foi ordenado.

Inicialmente, tentou ficar quieto no seu lugar. Seu objetivo era alcançar outros estudantes, na base de um a um. Mas havia um problema. Desde o momento que abriu sua boca, todos queriam ouvir mais. Depois de quatro semanas pregando mensagens em Gloucester, Bristol e Bath, um pequeno avivamento se iniciara. As igrejas estavam lotadas e as ruas estavam cheias de gente tentando entrar. Whitefield tinha apenas 22 anos.

Apesar da sua formação acadêmica, Whitefield utilizou muito mais seus talentos dramáticos para comunicar as verdades espirituais do que conhecimentos intelectuais. Concentrou no aperfeiçoamento do que hoje chamaríamos de linguagem corporal. A paixão seria sua chave na pregação das verdades espirituais que muitos já tinham ouvido, porém sem vida.

Sem muita prática em homilética, sua sensibilidade dramática logo o colocou numa classe à parte. Lágrimas, fortes emoções, agitado movimento corporal – mas acima de tudo, uma experiência intensamente pessoal do Novo Nascimento – eram características da sua pregação e das reações dos seus ouvintes. Sua prodigiosa memória o capacitava a transformar o púlpito num teatro sagrado que representava os santos e pecadores da Bíblia diante dos seus ouvintes fascinados.

Entre os que ficavam encantados diante das pregações, estava um grande ator inglês, David Garrick, que exclamou: "Eu daria cem guineas (moeda inglesa da época – equivalente a mais de uma libra moderna) se eu pudesse dizer Oh como o Sr. Whitefield!"

Com suas mensagens vivas, dramáticas e cheias de alegria espiritual, o país da Inglaterra começou a ser abalado. As verdades eram simples, diretas e baseadas nas doutrinas básicas do novo nascimento e da justificação pela fé. Mas para as pessoas que nunca antes ouviram tais coisas com clareza, eram como descargas de raios no coração. Ele não estava declarando sua própria mensagem, mas a mensagem de Deus: "É necessário nascer de novo".

Logo houve resistência, principalmente por parte dos clérigos que se perturbavam com a oração de Whitefield para que eles também nascessem de novo. Pessoas das camadas mais elevadas da sociedade também não gostavam de ouvir que eram pecadores e precisavam se arrepender.

Uma Forma Revolucionária de Pregar

Em 1739, com 24 anos de idade, Whitefield começou a pregar ao ar livre. Várias igrejas haviam fechado as portas para suas pregações e ele não queria depender mais da disponibilidade de igrejas ou auditórios. Partiu para Kingswood, perto de Bristol, onde havia milhares de mineiros de carvão, que viviam em condições deploráveis. Homens, mulheres e crianças trabalhavam longas horas embaixo da terra, no meio de morte e doença. Para Whitefield, eram como ovelhas sem pastor.

Em fevereiro, o frio era intenso, mas ao passar pelos barracos e favelas, Whitefield encontrou 200 pessoas dispostas a ir ouvi-lo. Ele pregou dramaticamente sobre o amor de Jesus por eles e como sofreu a cruel morte da crucificação, só para salvá-los dos seus pecados. Enquanto pregava, começou a notar faixas brancas nas faces enegrecidas de alguns mineiros. Logo, todos os rostos escuros estavam manchados com as valetas brancas das lágrimas que corriam enquanto o evangelho de Jesus convencia a todos, um por um.

Três dias depois, Whitefield foi proibido de pregar em Bristol novamente pelo conselho da diocese. Porém, no dia seguinte ele pregou na própria mina, onde desta vez havia 2000 pessoas para ouvi-lo. No domingo seguinte, havia 10.000 e muito mais pessoas da cidade do que das minas. E no dia 25 de março de 1739, a multidão foi estimada em 23.000. Com este método heterodoxo e controvertido de pregação ao ar livre, parecia não haver limites para o crescimento do Grande Despertamento.

Estima-se que Whitefield tenha pregado para mais de dois milhões de pessoas, só naquele verão. Sua ousada pregação nos campos abalara de vez o fraco e tímido cristianismo da sua época. Quando chegou em Filadélfia, em agosto daquele ano, os jornais noticiaram que George Whitefield havia pregado a mais pessoas do que qualquer outra pessoa viva, e provavelmente do que qualquer outra pessoa na história, até então.

Melhor Esgotar-se do que Enferrujar

Whitefield cruzou sete vezes o oceano Atlântico entre a Inglaterra e a América. Faleceu em 1770, com apenas 55 anos de idade. Em 34 anos de ministério, pregou mais de 18.000 sermões, ou uma média de mais de 10 por semana. No seu último ano de vida, apesar da saúde prejudicada pela extrema intensidade da sua vida, recusou-se a parar, dizendo que preferiria se "esgotar a enferrujar".

Antes de pregar sua última mensagem, sentindo-se muito mal, Whitefield orou: "Senhor, se ainda não completei minha carreira, deixa-me ir falar por ti mais uma vez no campo, selar tua verdade e voltar para casa e morrer!"

Sua oração foi respondida. Seu último discurso foi no meio da tarde, num campo, em cima de um barril. Seu texto foi: "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé" (2 Co 13.5). O tema foi o novo nascimento.

No começo falava com muita dificuldade, sua voz rouca, sua dicção pesada. Frase após frase saía sem muito nexo, sem atenção a objetivo ou oratória. Mas, de repente, sua mente se acendeu e sua voz de leão bradou mais uma vez, alcançando as extremidades da sua audiência.

Falando da ineficácia de obras para merecer a salvação, Whitefield trovejou: "Obras! Obras! O homem alcançar o céu por obras! Eu pensaria antes em alcançar a lua subindo numa corda de areia!"

Esta foi a exortação final do grande pregador. A luz que brilhou na sua alma queimou com ardor até o fim da sua vida.

Talvez Deus não lhe tenha dado uma voz de leão, nem o talento dramático da comunicação em massa. Mas não há limites para o que Deus pode fazer através de uma vida, por jovem que seja, quando o genuíno fogo do céu se acende nela.

FONTE: http://cristineferrer.blogspot.com.br

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O APÓSTOLO DOS PÉS SANGRENTOS

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Este precioso livro, escrito por Boaneges Ribeiro e publicado pela CPAD, relata a história de um homem que colocou Cristo como centro de sua vida e o ofício de procamá-lo como sua profissão. Sundar Singh foi um homem muito útil ao Senhor. Conheceu a Cristo ainda muito jovem e passou a ser tomado por um desejo profundo de se parecer com o seu Salvador. As montanhas da Índia, China, Nepal e Tibete são testemunhas das muitas viagens deste homem de Deus. Situações em que sempre esteve em perigo, seja ameaçado pelo frio, fome, animais selvagens, trilhas difícieis, seja sob ameaça de grandes forças do inferno e de extremistas hinduístas, budistas e mulçumanos.

Andando, literalmente, este fiel ministro da Palavra foi usado pelo Senhor Jesus para levar a Verdade (Jesus) a diversos povos estabelecidos em lugares de difícil acesso geográfico e de escravidão religiosa. Singh foi, sem dúvida, instrumento do Espírito Santo para proclamação do Reino de Deus como testemunho a esses povos.

Através da história deste homem podemos nos deliciar ao contemplar o alcance da graça do Senhor, que o levantou como ministro do Evangelho, cujo ministério foi forjado no meio do serviço e das batalhas que o acompanhavam. Ele não teve um minuto sequer para a teologia organizada e foi usado poderosamente por Deus por meio da ação do poder do Espírito Santo. Sentiu um peso enorme de responsabilidade pela obra de Deus na vida dos povos que ele se comprometeu a anunciar as boas novas, pelo que renunciou qualquer conforto material. É algo tão diferente de tanta doutrina materialista e comprometida com o bem estar do homem aqui na terra, tão anunciada por homens que abandonaram a mensagem da cruz e passaram a anunciar algo alternativo, mesclado com algumas verdades, mas inteiramente falso.

Nascido em 03 de setembro de 1889, Sundar Singh era o filho caçula de uma família sik, uma das religiões que tiveram origem na Índia, caracterizada por serem seus adeptos aversos às drogas, inclusive o tabaco, cultivando um cuidado peculiar com a higiene pessoal e um respeito devocional aos chamados “livros sagrados”. A aldeia na qual ele nasceu, Rampum, era um dos principais redutos siks, e seu pai, Sher Singh era governador da mesma.

Desde criança, Sundar Singh demonstrava um interesse incomum a sua tenra idade, pela introspecção e conhecimento dos livros sagrados sinkistas, com incentivo pleno de sua mãe, uma religiosa praticante que sonhava ver seu filho se tornar um “sadu” (espécie de sacerdote sik). Segundo o próprio Sundar, sua mãe teve uma participação marcante na sua trajetória até Cristo, pois ela alimentou seu desejo por uma vida piedosa.

Aos 14 anos, Sundar perdeu a mãe. Foi uma experiência muito dolorosa para ele. Mas, nessa fase ele se encontrava cada vez mais perto de conhecer a Cristo, embora ainda fosse lutar muito até decidir entregar sua vida a Ele. Isso seria uma vergonha para sua família sik. Por isso Sundar resistiu bastante até, finalmente, render-se ao Jesus a quem amou até o fim de sua vida.

Deus o estava cercando. Após a morte de sua mãe, Sundar entrou numa fase de profunda introspecção e luta interior, pois os rituais siks que cumpria diariamente e as horas de leitura nos livros sagrados não serviam para satisfazer sua profunda fome espiritual. Diante do quadro depressivo do filho, seu pai resolveu matriculá-lo em uma escola, a fim de ocupar sua mente, na esperança de vê-lo recuperar a alegria. E assim fez. Toda a escola era dirigida por uma missão norte-americana e lá Sundar teve contato com o livro mais precioso: A Bíblia.

De Inicio ele rejeitou tudo: a escola, os professores, os colegas e a Bíblia. Sendo que da Bíblia ele nutria um ódio intenso. Mas não podia deixar de ler, pois era o livro texto da escola. Quando começou a ler a Bíblia, passou a se interessar por ela. No início chamou a atenção o “tal” Jesus, de quem o livro falava. Sua atração pela Bíblia foi crescendo, levando-o a uma leitura diária, até que um amigo o advertiu com relação ao “feitiço” da Bíblia, pois, argumentou: - “muitos que começam a conhecer este livro acabam se tornando cristãos".

Tomado pelo pavor de ser “enfeitiçado” pelo livro, se desfez da Bíblia, saiu da escola, e por algum tempo, passou a perseguir os cristãos de sua cidade. Queimou sua Bíblia e outras mais. Mas, em tudo, sua agonia só fez crescer. Decidiu, no meio de seu desespero, testar um texto que tinha lido na Bíblia. Seu conflito interior era tão gigante que desafiou Deus a lhe revelar a verdade ou então cometeria suicídio. Após algumas horas esperando a resposta do Deus que até então ele não cria ser real, o próprio Senhor Jesus veio ao quarto de Sundar e a presença gloriosa que sentia e via trouxe a certeza que jamais o abandonaria. Decidiu ali entregar sua vida a Cristo e servi-lo fielmente. Mas, como acontece com todos aqueles que querem seguir fielmente a Cristo, enfrentou diversas e duras oposições. Sua família o rejeitou e tentou até matá-lo por envenenamento. O Senhor o livrou da morte por diversas ocasiões.

Após sua conversão de pronto atendeu o chamamento do Senhor: iria pregar o evangelho de Jesus por toda a região do Tibet e vizinhanças como um Sadhu, ou seja, alguém que não tem nada nesta terra a não ser sua fé. Foi assim que percorreu regiões de difícil acesso, descalço por caminhos montanhosos e de frio hostil. Comia o pão de cada dia à medida que o Senhor supria. Sua vida estava inteiramente nas mãos do Mestre. Passou a se relacionar tão profundamente com o Senhor que foi a cada dia tornando-se mais parecido com Jesus. 'Quando, numa sala, alguém o tratava com consideração que dispensava a seres excepcionais, ele se retirava aborrecido. Disse certa vez que não podia tolerar tais néscios'. Ao orar por uma criança à beira da morte, e o Senhor ter operado um milagre, ficou chocado ao ver as pessoas pensarem que ele era um milagreiro, levando-o a afirmar publicamente que não faria mais aquilo para não atrapalhar a mensagem do evangelho que pregava.

Embora tenha pregado o evangelho em diversos países, seu trabalho foi concentrado em regiões de difícil acesso nas montanhas da Índia, China, Nepal e Tibete. Sua missão era clara: levar a mensagem do evangelho a lugares que nunca tinham ouvido falar de Cristo. Os perigos faziam parte de sua dura rotina diária. Em 13/04/1929 foi visto pela última vez por um missionário europeu, quando decidiu percorrer a "Estrada do Peregrino" no Tibete. É desconhecido seu paradeiro, apenas sabemos que este homem certamente estará na lista daqueles que reinarão com Cristo.

FONTE: http://cristineferrer.blogspot.com.br

                                                                                                          


John Bunyan (1628-1688)

Autor do livro “O Peregrino”

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“Queres conhecer o caminho da cruz? Olha lá para adiante. Vês um caminho estreito? É por ali que hás de ir. Por ele passaram os Patriarcas da fé, os profetas, Cristo e os apóstolos: É um caminho tão direito como uma linha reta. Há desvios por onde se perca um forasteiro? Sim, tem muitas encruzilhadas, e muitos atalhos bastante largos; mas a regra para distinguir o verdadeiro caminho é este: sempre reto e apertado.”
In “O Peregrino” , John Bunyan, 1688.


Já se passaram quatro séculos desde publicação do livro “O Peregrino”, livro mais vendido e lido do mundo, ficando atrás apenas da Bíblia. Seu autor, John Bunyan nasceu em Harrowden, Elstow, Inglaterra. Em 1649 casou-se com uma jovem mulher. John viveu em Elstow até 1655, quando sua esposa morreu, e então se mudou para Bedford e se casou de novo em 1659. Bedford hoje é um próspero centro industrial e ainda conserva alguns traços da época em que Bunyan caminhou por suas ruas na segunda metade do século XVII.

Um edificio, ainda incrivelmente bem conservado, onde alguns dizem que o escritor participou dos cultos, é sede do museu Bunyan, onde o visitante encontra um réplica como seria o lar dele, como também um pulpito, do qual ele ouviu palavras que influenciaram seus pensamentos. Também no museu encontra-se a porta de uma prisão onde Bunyan passou 12 anos preso pelo ‘crime’ de andar perto de Jesus e de pregar a verdadeira mensagem da cruz, contrariando o pensamento das lideranças anglicanas e católicas de seu tempo. Foi lá, na prisão, que Bunyan escreveu o livro “O Peregrino”.

Fiel a sua igreja, entretanto Bunyan não se contentava em receber apenas os ensinos ministrados pelos líderes religiosos, tornando-se um ávido estudioso da Bíblia. Com este estudo ele passou a questionar a conduta da igreja e a combater a hipocrisia que via nos círculos religiosos. Começou a ver o ativismo “cristão” como um pecado fatal, pois via que era fruto de esforço carnal, sem produzir a vida de Deus.

Embora o vitral da igreja atualmente homangeia o autor e seu livro, Bunyan com seu estudo da Bíblia passou a discordar fortemente da igreja. Muitas das cenas de seu livro não só expressam suas lutas íntimas, mas também a iniquidade que viu na igreja. Isto lhe custou muito sofrimento, fato resumido por uma placa em seu túmulo: “pagou muito caro por discordar dos líderes religiosos de seus dias”.

Um pequeno presídio existia próximo a uma ponte em Bedford. No primeiro ano que ficou preso lá, começou a escrever o livro “O Peregrino”. E a despeito de nunca ter ido a julgamento, passou 12 anos preso na mesma cadeia. Hoje os descendentes da cidade o homenageia, mas na época de Bunyan era diferente, pois ele se atreveu a pregar contra a hipocrisia.

Em 1658 Bunyan foi processado por pregar sem uma licença, rebelando-se contra a igreja oficial da Inglaterra. Não obstante, ele continuou a pregar e não sofreu prisão até novembro de 1660, quando ele foi levado à cadeia municipal de Silver Street, Bedford. Alí ele ficou detido por três meses, mas, por se recusar a conformar ou desistir de pregar uma mensagem que confrontava os líderes religiosos de seu tempo, sua prisão foi estendida por 12 anos até janeiro de 1672, quando Carlos II emitiu a Declaração de Indulgência Religiosa.

Naquele mês ele se tornou pastor da igreja batista de Bedford. Em março de 1675, ele foi novamente aprisionado por pregar (porque Carlos II removeu a Declaração de Indulgência Religiosa), desta vez no cárcere de Bedford localizado na ponte de pedra sobre o rio Ouse. (O mandado original, descoberto em 1887, é publicado em fac-símile por Rush and Warwick, London). Após seis meses ele foi liberto e devido ao respeito que as pessoas tinham por seu ministério, ele não foi mais molestado.

A luta de Bunyan era fruto da decisão Henrique VIII (1509-1547), que criou a Igreja Anglicana, uma igreja nacional inglesa de orientação nitidamente católica. Em 1539, impôs os Seis Artigos, com severas punições para os transgressores (“o açoite sangrento de seis cordas”). Duas reações dos protestantes: conformação – por exemplo, o arcebispo Thomas Cranmer a princípio de opôs, mas depois se submeteu e separou-se da esposa; protesto – Miles Coverdale, John Hooper e outros, que tiveram de fugir do país e foram para a Suíça. Maria I (1553-1558) tentou restaurar o catolicismo na Inglaterra, perseguindo e assassinando os líderes protestantes, notadamente os puritanos. Estes pregavam a purificação da igreja, defendendo o fim dos elementos arquitetônicos, litúrgicos e cerimoniais, que consideravam afrontação para com a simplicidade bíblica.

Muitos pastores puritanos foram cruelmente mortos sob influência da igreja anglicana (uma espécie de igreja católica sem vínculo com o Vaticano) . De 1534 até 1688 a igreja anglicana comandou o ato de intolerância contra os cristãos. Foi nesta época que viveu John Bunyan. Neste período a perseguição era geral. Os cristãos não tinham o direito legal de se reunir e muito menos de pregar o evangelho, e quando descobertos, os locais eram fechadas e destruídos. Houve uma imigração maciça para a América do Norte.

John Bunyan sofreu muito na prisão, pois além de sua esposa possuir uma enfermidade, ele tinha uma pequena filha cega, o que lhe custava muito tempo de aflições em oração. Muitas vezes lhe foi oferecido a liberdade em troca de um compromisso de não pregar mais o evangelho de Jesus, coisa que se recusava a fazer, ao contrário, e enfurecendo seu algozes, dizia: “Ao sair daqui, voltarei a pregar o evangelho de Jesus imediatamente.” 

FONTE: http://cristineferrer.blogspot.com.br

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CHARLES G. FINNEY (1792-1875)

 

 

 

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Um ensino proferido por Finney, o qual foi sua base de vida:
“Passe muito tempo, diariamente pela manhã e à noite, em oração e comunhão direta com Deus. Não há conhecimento que compense a perda dessa comunhão. Se falhares nisto te enfraquecerás e serás como qualquer outro homem.”


Finney nasceu de uma família não cristã e se criou num lugar onde os membros da igreja conheciam apenas a formalidade fria dos cultos. Tornou-se um advogado que, ao encontrar nos seus livros de jurisprudência muitas citações da Bíblia, comprou ume exemplar com a intenção de conhecer as Escrituras.

Ele descreve:

“Ao ler a Bíblia, ao assistir às reuniões de oração, e ouvir os sermões do senhor Galé, percebi que não me achava pronto a entrar nos céus... Fiquei impressionado especialmente com o fato de as orações dos crentes, semana após semana, não serem respondidas. Li na Bíblia “pedi e dar-se-vos-á”. Li, também, que Deus é mais pronto a dar o Espírito Santo aos que lho pedirem, do que os pais terrestres a darem boas coisas aos filhos. Ouvia os crentes pedirem um derramamento do Espírito Santo e confessarem, depois, que não o receberam. Exortavam uns aos outros a se despertarem para pedir, em oração, um derramamento do Espírito de Deus e afirmavam que assim haveria um avivamento com a conversão de pecadores... Foi num domingo de 1821 que assentei no coração resolver o problema sobre a salvação da minha alma e ter paz com Deus. (...) Fui vencido pela convicção do grande pecado de eu envergonhar-me se alguém me encontrasse de joelhos perante Deus, e bradei em alta voz que não abandonaria o lugar, nem que todos os homens da terra e todos os demônios do inferno me cercassem. O pecado parecia-me horrendo, infinito. Fiquei quebrantado até o pó perante o Senhor. Nessa altura, a seguinte passagem me iluminou: 'Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei'. E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração”.

As lutas íntimas e o chamado para o ministério:

'Lendo a Bíblia vi como Cristo se pronunciava sobre a oração e muito especialmente sobre respostas certas às mesmas'. Ele dizia: "pedi e dar-se-vos-á e aquele que busca, acha aquele que bate abrir-se-lhe-á". Li também sobre como Deus estaria numa grande pré-disposição de os atender e de dar o Seu Espírito Santo a quem O pedisse, mais do que os pais daqui do mundo estariam na disposição de dar algo a seus próprios filhos. Ouvia-os orar continuamente para que fosse derramado o Espírito Santo e variadíssimas vezes a confessarem abertamente que nada demais se passaria, pois não recebiam tudo aquilo que pediam. Exortavam-se uns aos outros para se manterem despertos e na expectativa da Sua vinda, orando sempre para que houvesse um avivamento religioso, assegurando mutuamente que, se cada um cumprisse a sua parte, orando pelo Espírito e fossem sérios e sinceros no pedido, estariam na eminência de obterem o tal avivamento que iria converter muitos impenitentes e pecadores. Mas nas suas muitas orações e reuniões, alegavam continuamente que nenhum progresso alcançavam através daquelas orações, a favor de assegurarem o próprio progresso da religião.

Aquela inconsistência absurda de nunca receberem aquilo que tanto pediam, era um sério tropeço para mim. Não sabia o que entender daquilo. A questão que se punham na minha mente seria se aquelas muitas pessoas seriam de fato crentes e que se não sendo não tinham como prevalecer diante Deus, ou se eu estaria a entender muito mal as promessas que vinham na Bíblia vezes sem conta. Estaria a Bíblia a falar a verdade? Era algo inexplicável para mim. Por pouco tal ocorrência não me levou ao cepticismo.

Numa ocasião, quando freqüentava a dita reunião de oração, Perguntaram-me se desejaria que orassem por mim. Respondi-lhes de imediato que não, porque, disse-lhes, não via Deus a responder qualquer das suas orações. Disse: "Por acaso sou uma pessoa necessitada de oração, porque tenho consciência em mim que sou um pecador; mas não vejo que as vossas orações possam resolver o meu problema, pois vocês não estão a ser ouvidos; se o caso se desse das vossas orações serem ouvidas, não me importaria nada que orassem por mim. É que estão há tanto tempo a orar para que desça o Espírito Santo e nada recebem! Desde que cheguei a Adams que pedem isso e não há maneira de ver qualquer resposta concreta; apenas vos vejo a lamentarem-se que não recebem". Recordo-me de haver usado uma forma de expressão na altura mais ou menos assim: "Já oraram tanto desde que freqüento as vossas reuniões que já bastaria para expulsar o diabo por inteiro daqui de Adams, se houvesse qualquer essência de virtude em qualquer das vossas orações! Mas mesmo assim, vocês continuam a orar sobre a mesmíssima coisa e só vos ouço lamentarem-se sempre por nunca receberem" Eu falava com muita seriedade de expressão sem qualquer fragrância de irritabilidade, devendo-se provavelmente ao fato de me haver confrontado continuamente com aquela questão da religião. Este era um estado de coisas deveras novo para a minha experiência. Mas lendo a Bíblia com mais diligencia, pude verificar que as suas orações nunca seriam ouvidas porque eles nunca se haviam comprometido com as condições sob as quais Deus se comprometera a responder às orações deles. Foi como que uma revelação para mim, pois via-se claramente que não esperavam que Deus respondesse, que lhes desse aquilo por que pediam.

Da primeira vez que recebi a convicção que era essa a vontade de Deus, aquele pensamento que se alguma vez houvesse como me converter eu iria pregar o evangelho, percebi que teria de abandonar a minha profissão que muito amara até ali. No princípio fez-me hesitar, servindo-me mesmo como tropeço. Pensei que havia despendido tanto esforço naquela profissão, nos estudos, tanto tempo que, tornar-me crente, obrigar-me-ia a abandonar tudo para ir pregar o evangelho. Mas assim que coloquei a questão a Deus em pessoa, aquele pensamento que se alguma vez me chegasse a converter me entregaria à pregação do evangelho, pensei e vi que quando decidi ir estudar direito nunca havia sido uma resolução a qual houvesse levado em consideração a opinião de Deus, daí que não me sentisse no direito de impor condições de qualquer gênero ao meu Criador. Não mais havia dado atenção àquela questão de me tornar num ministro da Palavra até me haver ocorrido o que aqui descrevi antes, a caminho do bosque.

Mas, depois de haver sido coroado com aqueles poderosos batismos do Espírito, toda a minha vontade se tornou cativa daquele desejo de ir pregar aos outros. Logo descobri que nada mais no mundo era meu desejo. Não tinha mais nenhuma réstia de vontade em persistir na advocacia e partir daquele momento nunca mais me recordo de sentir qualquer vontade de voltar ao meu anterior ofício. Não tinha qualquer ambição de obter riqueza, não tinha qualquer fome de qualquer prazer deste mundo, tudo se resumia àquela vontade de Deus dentro de mim. Nenhuma inclinação havia em sentido contrário. Toda a minha mente ficou absorvida pela grande questão de Jesus e a Sua grande salvação. O mundo me parecia algo prestes a morrer, sem conseqüência sobre a minha vontade sequer. Nada, parecia-me, podia rivalizar com a salvação de almas; nenhum labor poderia ser tão doce de pensamento, nenhum ofício mais exaltado haveria, do que aquele que se pôs diante de mim de elevar Cristo bem alto diante dum mundo em vias de se extinguir para sempre.

Sob total influencia desta impressão profunda causada em mim, saí de vez do escritório com a clara intenção de pregar a quem quer que achasse. Falei com uma imensidão de gente só naquele dia e acho mesmo que o Espírito de Deus conseguiu impressionar e marcar seus espíritos para sempre. Não consigo recordar de alguém com quem falei naquele dia, que não se haja convertido em breve trecho”.

A conversão de Finney e o seu revestimento do poder do Espírito Santo, contados em sua biografia, são impressionantes. O amor a Deus, a fome de sua Palavra, a unção para testemunhar e anunciar do Evangelho vieram sobre ele no dia de sua entrega a Jesus. Imediatamente, o advogado perdeu todo o gosto pela sua profissão e tornou-se um dos mais famosos pregadores do Evangelho. Eis o segredo dos grandes pregadores, nas palavras do próprio Finney: Os meios empregados eram simplesmente pregação, cultos de oração, muita oração em secreto, intensivo evangelismo pessoal e cultos para a instrução dos interessados. Eu tinha o costume de passar muito tempo orando; acho que, às vezes, orava realmente sem cessar. Achei, também, grande proveito em observar freqüentemente dias inteiros de jejum em secreto. Em tais dias, para ficar inteiramente sozinho com Deus, eu entrava na mata, ou me fechava dentro de algum lugar.

Conta-se acerca deste pregador que depois de ele pregar em Governeur, no Estado de New York, não houve baile nem representação de teatro na cidade durante seis anos. Calcula-se que somente durante os anos de 1857 e 1858, mais de 100 mil pessoas foram ganhas para Cristo pelo ministério de Finney. Na Inglaterra, durante nove meses de evangelização, multidões também se prostraram diante do Senhor enquanto Finney pregava.

Descobriu-se que mais de 85 pessoas de cada 100 que se convertiam sob a pregação de Finney permaneciam fiéis a Deus; Parece que Finney tinha o poder de impressionar a consciência dos homens sobre a necessidade de um viver santo, de tal maneira que produzia fruto mais permanente.

Veja alguns conselhos que Finney deu para quem prega o evangelho:

 Pregue a Palavra constrangido pelo amor.
 Seja revestido do poder do Espírito Santo.
 Mantenha uma comunhão íntima com Deus.
 Tenha uma profunda vida de meditação na Palavra de Deus.
 Não dependa dos comentários, ouça-os, porém busque o veredicto de Deus.
 Guarda-te puro em atos e atitudes.
 Recusa-te a diminuir a intensidade desta obra. Seja constante e diligente.
 Creia na promessa de Jesus: “Estarei convosco todos os dias”.
 Livra-te de hábitos que possam produzir tropeço aos homens.
 Não sejas leviano. Põe o Senhor a frente de ti em todos os momentos.
 Fuja de conversas frívolas e sem proveito. Controla tua língua.
 Resolva a “nada saber” entre teu povo “senão a Jesus e este crucificado”.
 Ensine por preceito e por exemplo.
 Vigie em teus pontos fracos.
 Seja simples, sério e de correto procedimento cristão.
 Gaste muitas horas diárias na oração e na Palavra. Se falhares nisto serás um homem como outro qualquer.
 Fuja de ensinar por sabedoria humana. Busque a orientação direta do Espírito Santo.
 Pregue com base em sua própria experiência e não por ter ouvido falar.
 Deixe o povo compreender que temes muito a Deus para temê-los.
 Não seja refém da popularidade e do salário. Declare todo o conselho de Deus, quer ouçam, quer deixem de ouvir.
 Não bajule os ricos.
 Fuja das vaidades.
 Não fique calado ao ver o pecado no meio do teu povo.
 Por mais que sejam voluntários, não aceite sustento da obra por homens não comprometidos com Deus.

FONTE: http://cristineferrer.blogspot.com.br

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      John Hyde (1865-1912), O Apóstolo da Oração"

                                   Resultado de imagem para imagem de john hyde, o apostolo da oração

 

Uma palavra muitas vezes repetida por John Hyde:

“Quando nos mantemos perto de Jesus, é ele quem atrai as almas a si mesmo através de nós, mas é necessário que ele seja levantado na nossa vida: isto é, temos de ser crucificados com ele. Em alguma forma, é o ‘EU’ que se levanta entre nós e ele, e por isso o ‘EU’ precisa ser tratado como ele foi. O ‘EU’ precisa ser crucificado. Somente então Cristo será levantado na nossa vida, e ele não pode deixar de atrair almas a si mesmo. Tudo isso é resultado de união e comunhão íntimas, ou seja, comunhão com ele nos seus sofrimentos.”

 

1ª. Parte
Testemunho de seu amigo J. Pengwern Jones
Extraído de `Praying Hyde´ (O Homem Que Orava), compilado por Captain E. G. Carré.



“John Hyde foi grandemente usado para abençoar minha vida. Já havia lido aquele precioso livro de Andrew Murray, `Com Cristo na Escola de Oração´, e pude ver neste homem um exemplo vivo de alguém que estava de fato com Cristo na sua escola de oração. Seu exemplo deu-me um profundo anseio e também inspiração para me matricular como aluno nesta escola...

Jesus, nosso grande Sumo Sacerdote, deseja `companheiros´, `colegas´, `participantes´, para entrarem junto com ele no santuário como intercessores. O sumo sacerdote dos tempos antigos tinha de entrar no Santo dos Santos sozinho, mas nosso Sumo Sacerdote suplica para que haja companheiros para estarem ao seu lado. Hyde era exatamente isto, e parece-me estranho que tenhamos tanta relutância em assumir este tremendo privilégio de ser `co-intercessores´ junto com ele...

A primeira vez que encontrei John Hyde foi em Ludhiana, no Punjab (na Índia), onde ele morava na época. Eu fora convidado para falar algumas palavras sobre o avivamento na região dos montes Khassia, na Índia, para a Conferência de uma missão, que estava realizando sua assembléia anual nesta época. Viajei a noite toda, saindo de Allahabad e chegando em Ludhiana de madrugada. Levaram-me para tomar chá junto com os participantes do congresso, e com os demais que estavam lá. Fui apresentado a Hyde que estava do lado oposto da mesa. Tudo que disse a mim foi: `Quero falar com você. Estarei esperando perto da porta.´

Lá estava ele me esperando, e suas primeiras palavras foram: `Venha comigo à sala de oração. Queremos você lá.´ Eu não sabia se era um pedido ou uma ordem. Sentia que tinha de ir. Falei com ele que havia viajado a noite toda, que estava cansado, e que teria de falar às quatro da tarde, mas acompanhei-o assim mesmo. Encontramos meia dúzia de pessoas ali, e Hyde se colocou de rosto em terra diante do Senhor. Ajoelhei-me, e uma estranha sensação começou a tomar conta de mim. Algumas pessoas oraram, e depois Hyde começou a orar, e a partir daí não me recordo de muita coisa. Eu sabia que estava na presença do próprio Deus, e não tinha nenhum desejo de sair daquele lugar. Na verdade, acho que nem pensei de mim mesmo ou do lugar onde estava, pois havia entrado em um outro mundo e queria permanecer ali.

Entramos naquela sala por volta das oito horas da manhã. Várias pessoas entraram e outras saíram depois disso, mas Hyde ficou prostrado de rosto em terra, e dirigiu o grupo em oração várias vezes. As refeições foram esquecidas, e minha sensação de cansaço evaporou. O relatório do avivamento e a mensagem que deveria entregar, que estavam me causando tanta ansiedade, saíram totalmente da minha mente, até umas três e meia da tarde, quando Hyde se levantou. Percebi então que estávamos sozinhos na sala de oração.

`Você vai falar às quatro horas,´ ele disse para mim. `Vou levá-lo para tomar uma xícara de chá.´ Respondi que certamente ele também precisava comer alguma coisa, mas ele disse: `Não, não quero nada, mas você precisa de alguma coisa.´ Passamos rapidamente no meu quarto, e nos lavamos apressadamente, e em seguida tomamos uma xícara de chá cada um. Então já estava na hora da reunião.

Ele me levou até a porta, tomou minha mão e disse: `Entre e fale. Esta é a sua tarefa. Voltarei à sala de oração para orar por você. Este é o meu trabalho. Quando acabar o culto, venha para a sala de oração outra vez, e louvaremos a Deus juntos.´ Que sensação, semelhante a um choque elétrico, passou por mim quando nos separamos ali. Foi fácil falar, mesmo através de um intérprete. O que eu disse, não sei. Antes de terminar, porém, o intérprete indiano, sobremodo comovido pelos seus sentimentos e pelo Espírito de Deus, não conseguiu continuar, e teve de ser substituído.

Sei que o Senhor falou naquela noite. Falou comigo, e falou com muitos outros. Reconheci o Poder da Oração. Foi assim que reconheci o poder da oração. Quantas vezes já havia lido de bênçãos em resposta a oração, mas isto me impactou de tal maneira naquela noite que desde então procuro alistar guerreiros de oração para orar por mim todas as vezes que tenho de entregar uma mensagem de Deus. Foi uma das reuniões mais maravilhosas que já tive o privilégio de experimentar, e sei que foi resultado do santo guerreiro de oração que estava lá por trás dos bastidores.

Voltei à sala de oração após o culto, para junto com ele louvar ao Senhor. Ele não fez pergunta alguma, se o culto fora bom ou não, se as pessoas foram abençoadas ou não, nem pensei em dizer-lhe da bênção que eu recebera pessoalmente, ou de como suas orações haviam sido respondidas. Era como se já soubesse de tudo, e como era poderoso seu louvor ao Senhor! Foi tão fácil para eu louvar ao Senhor junto com ele, e falar com Deus da bênção que me enviara. Conversei muito pouco com ele naquela conferência.

Sabia muito pouco sobre ele, e estranhamente, não tive desejo de dirigir-lhe pergunta alguma. Mas um novo poder entrara na minha vida, humilhando-me e dando-me uma visão completamente nova da vida de um missionário, ou até mesmo da vida de um cristão. O ideal que me foi revelado naquela época nunca se perdeu, pelo contrário, com o passar dos anos, há um anseio cada vez mais profundo de atingi-lo.

Conversei com alguns missionários sobre Hyde, e descobri que antes muitos não o haviam compreendido, mas agora seus olhos estavam sendo abertos ao fato de que este não era um obreiro comum, mas alguém especialmente revestido com o espírito de oração, dado por Deus para a Índia para ensinar as pessoas a orar. Anos depois, perguntei-lhe se naquela época ele havia percebido que os missionários não estavam a favor da quantidade de tempo que passava em oração. Com aquele sorriso doce que eu jamais poderei esquecer, ele respondeu: `Oh sim, eu sabia, mas era porque não me compreendiam, só isto. Não era intenção deles ser antipáticos comigo.´

Não pude detectar nele um átomo de amargura. E realmente agora os missionários já falavam da suas longas vigílias de oração com aprovação. Provavelmente Hyde não passou uma noite dormindo durante aquela primeira conferência em que estivemos juntos, e o Senhor o honrou. Ele não apareceu diante do povo, mas em resposta a suas orações, muitos foram abençoados. Creio que uma nova era na história da Missão, e na história da província de Punjab, foi inaugurada naquela época.”

2ª. Parte
Alguns relatos sobre o ministério de John Hyde.
Adaptado do livreto “John Hyde, Apostolo de Oração”. Francis McGraw. Publicado por John Walker em 1975.



John Hyde foi criado num lar onde Jesus era um hóspede residente, e onde a atmosfera era de oração. O pai de John, Smith Hyde, era um homem de oração e sempre pedia que o Senhor mandasse ‘trabalhadores para sua seara’. Não é a toa que Deus envolveu sua família nesta obra.

Em 1892, John Hyde, após ser chamado por Deus, viajou de navio para a Índia e iniciou, com muitas dificuldades, o que mais tarde seria um dos mais impactantes ministérios da igreja cristã.

Com as crescentes dificuldades para a pregação do evangelho na Índia, os missionários foram convocados para uma reunião de avaliação e aprofundamento espiritual. Três homens, John Hyde, R. McCheyne Peterson e George Turner foram tomados por um tremendo peso de oração por este encontro. Durante 21 dias e 21 noites antecedentes esses homens se derramaram diante de Deus por um mover do Espírito.

No encontro John Hyde falou por apenas 20 minutos, mas suas palavras de quebrantamento causaram um enorme impacto, produzindo um devastador peso em diversas vidas. Vários obreiros foram tomados por uma impactante confrontação do Espírito e lançaram-se horas a fio de clamor.

“John não jejuava no sentido normal da palavra, implorava-se para que ele viesse comer, ele olhava e sorria: ‘Não estou com forme. Não!’ Havia uma fome consumindo a sua própria alma, e somente a oração poderia sacia-lo. Diante da fome espiritual, a natural desaparecia. Ele estava sendo consumido por uma agonia em favor de salvação de almas. Naqueles dias parecia que nunca perdia a visão dos homens perdidos no lugar onde morava. Ele gemia dizendo: ‘Pai dê-me estas almas, senão eu morro!’

Durante este tempo ele firmou uma aliança com Deus. Era pela conversão de uma alma por dia, não menos. Não meros interessados, para pessoas prontas para confessar a Cristo e ser batizada em seu nome. Ele voltou para seu distrito e não ficou desapontado. Eram noites de vigílias, jejum, dor, viagens e conflitos, mas coroadas pela vitória. No primeiro ano ele colheu 400 pessoas firmes em Cristo.

Ele ficou satisfeito com isto? Não. Ele dizia que não podia estar satisfeito se seu Senhor não estava. Mais um ano e foram mais 800 pessoas fiéis a Cristo. Então ele pediu ao Senhor quatro almas por dia. No dia em que isto não acontecia, de noite havia um peso imenso em seu coração, sendo-lhe impossível comer e dormir. Então em oração ele pedia ao Senhor para lhe mostrar que obstáculo na sua vida estava impedindo de mais pessoas converterem-se a Cristo”.

Quando chegou à Inglaterra ele foi visitar alguns amigos no País de Gales. Enquanto estava lá, soube que dois servos do Senhor estavam realizando uma campanha evangelística em Shrewsbury. Ele foi à cidade e alugou um quarto por uma semana, ficando enclausurado em oração e jejum pela cidade e pelos pregadores que estavam lá. Naqueles encontros o Senhor fez maravilhas.

“Ó Jerusalém, sobre os teus muros pus guardas, que todo o dia e toda a noite jamais se calarão; ó vós, os que fazeis lembrar ao SENHOR, não haja descanso em vós, Nem deis a ele descanso, até que confirme, e até que ponha a Jerusalém por louvor na terra”
. Isaías 62: 6-7

Há alguns que sabem que Deus os tem escolhido e ordenado como guardas. Há alguns que vivem tanto tempo em intimidade com Deus que ouvem a sua voz e recebem ordens diretamente Dele, que têm privilégio de cuidar, juntamente com o Senhor, dos assuntos de seu Reino. John Hyde era um desses.

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